quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Por favor, junte-se à ANIMAL no próximo Domingo, 6 de Dezembro, à 18h, em frente ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa

Por favor, junte-se à ANIMAL no próximo Domingo, 6 de Dezembro, à 18h, em frente ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa (Rua das Portas de Santo Antão), e venha protestar contra o uso de animais em circos

No próximo dia 6 de Dezembro, a sessão das 18h do Circo do Coliseu dos Recreios (Circo “Um Bongo”) será apenas para os Deputados e demais funcionários da Assembleia da República e seus familiares.

A ANIMAL levará a cabo uma acção de protesto contra a infame manutenção de animais nos circos e também contra a lamentável decisão da Assembleia da República de oferecer, mais uma vez, aos seus membros e funcionários um deplorável espectáculo de cruel subjugação de animais que até já o Governo Português censurou legislativamente.

Neste Domingo, 6 de Dezembro, pelas 17h30m, por favor esteja junto ao Coliseu dos Recreios. Por favor, não falte! Se acredita que o circo não deve ter animais, venha protestar connosco!

“Seja a mudança que quer ver no mundo.” - Mohandas K. Gandhi

Peça ao Presidente e à Secretária-Geral da Assembleia da República para cancelarem a sessão especial de circo com animais, no Coliseu

Lamentável e incompreensivelmente, depois do Governo Português ter, em boa hora, decidido implementar legislação que, a prazo, acabará com a manutenção e uso de animais selvagens em circos em Portugal, a Assembleia da República está, ainda assim, a organizar uma sessão especial de espectáculo de circo com animais (incluindo animais selvagens), no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no próximo dia 6 de Dezembro, para os membros e funcionários do Parlamento e respectivas famílias.

Num caso em que a Assembleia da República deveria dar o exemplo, antes promovendo uma ida organizada a um circo sem animais ou a um qualquer outro espectáculo de Natal que não envolvesse qualquer tipo de crueldade contra animais, o Parlamento está, ao invés disso, a promover uma ida a um espectáculo que, no seu ângulo de utilização de animais, até já por um acto legislativo do Governo Português foi censurado, proibido faseadamente e condenado a desaparecer, além de suscitar grande crítica no seio da sociedade portuguesa.

Esta é uma decisão da Secretária-Geral da Assembleia da República, razão pela qual a ANIMAL lhe pede que por favor envie a mensagem abaixo sugerida – ou, se preferir, escreva a sua própria mensagem – à Secretária-Geral do Parlamento, mas também ao Presidente da Assembleia da República, com conhecimento igualmente aos líderes dos seis grupos parlamentares. Por favor, envie a sua mensagem para: correio.geral@ar.parlamento.pt; sg.correio@ar.parlamento.pt; gabpar@ar.parlamento.pt; Com Conhecimento (Cc) a: gp@ps.parlamento.pt; gp_ps@ps.parlamento.pt; gp_psd@psd.parlamento.pt; gp_pp@pp.parlamento.pt; bloco.esquerda@be.parlamento.pt; gp_pcp@pcp.parlamento.pt; pev.correio@pev.parlamento.pt; campanhas@animal.org.pt.

Mensagem Sugerida

Exm.º Senhor Presidente da Assembleia da República
Exm.ª Senhora Secretária-Geral da Assembleia da República

Com Conhecimento a:

Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PS
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PSD
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do BE
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PCP
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PEV

Excelências,

Acabei de saber que, lamentável e incompreensivelmente, está agendada para o dia 6 de Dezembro uma sessão de espectáculo de circo *com animais* – incluindo animais selvagens –, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, destinada aos membros e funcionários da Assembleia da República, assim como às suas famílias.

Ora, tendo em consideração que ainda há poucos meses o Governo Português estabeleceu legislação que proibiu, imediatamente, a manutenção e o uso de grandes primatas em circos e que proibiu, faseada mas efectivamente, a manutenção e o uso de animais selvagens em circos, o que fez reconhecendo, com base em inúmeras evidências, que utilização destes animais num tal espectáculo é totalmente incompatível com a sua dignidade e bem-estar, e tendo ainda em consideração que, recentemente, os grupos parlamentares do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista Português e do Partido Ecologista “Os Verdes” avançaram igualmente com iniciativas legislativas no mesmo sentido, é, no mínimo, estranho e lamentável que a Assembleia da República, contrariando a feliz evolução social e política que se tem registado em Portugal no sentido de favorecer apenas a actividade circense livre do uso de animais, vir organizar um espectáculo de circo com animais para os seus membros e funcionários.

Importa, além do mais, salientar que a Bolívia proibiu recentemente, de forma total, o uso e a manutenção de animais domésticos e selvagens em circos, que o Senado do Brasil tem estado a dar passos no sentido de se poder, possivelmente muito em breve, proibir totalmente os circos com animais no Brasil – onde diversos municípios e estados já o haviam feito, de resto –, e que diversos outros estados-membros da União Europeia têm tomado medidas legislativas semelhantes, de entre os quais se destaca a Áustria, que proibiu, há já alguns anos, a manutenção e o uso de animais selvagens em circos. Portugal está, finalmente, a acompanhar esta positiva tendência e a sociedade portuguesa está cada vez mais desperta e preocupada com a maneira como os animais são tratados, nomeadamente nos circos, opondo-se, crescentemente, a este ângulo da actividade circense – sendo certo que o circo sem animais é apenas elogiado por todos, e criticado por ninguém por não se revestir de qualquer elemento eticamente censurável.

Acresce que são mais do que muitos os especialistas em ciências veterinárias e do bem-estar animal, assim como em biologia, etologia e zoologia que defendem, enquanto especialistas nesta área, que é impossível manter e usar animais em circos preservando qualquer grau mínimo de bem-estar animal, observações e conclusões científicas estas que têm estado na base das medidas legislativas e administrativas de diversos municípios e estados de todo o mundo no sentido de proibir ou restringir o uso de animais em circos.

Diante deste cenário, só me ocorre como razoável e aceitável uma solução – que é aquela que respeitosamente peço a V. Ex.as que implementem de imediato: que por favor cancelem esta sessão de circo com animais no Coliseu dos Recreios, escolhendo antes um espectáculo de circo sem animais, ou um qualquer outro espectáculo de Natal que não envolva crueldade contra animais, que possa, além de ser eticamente aceitável, constituir um momento de lazer, entretenimento e cultura, livre de crueldade, para os membros e funcionários do Parlamento e para as suas famílias.

Do Parlamento, espero que venha um bom exemplo neste sentido, e não o contrário, pelo que apelo a V. Ex.as para que tomem em plena consideração este meu pedido, cancelando o dito espectáculo de circo com animais e escolhendo um outro espectáculo mais digno, mais ético e verdadeiramente artístico.

Agradecendo antecipadamente a atenção que possa ser dedicada à presente mensagem e ficando na expectativa de uma resposta, que espero que seja positiva, apresento a V. Ex.ª os meus melhores cumprimentos e mais respeitosos cumprimentos,

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sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Austrália: Autoridades matam seis mil camelos

As autoridades do estado australiano do Território do Norte sobrevoaram de helicóptero a região de Outback para matar seis mil camelos selvagens.

(In TVNET, 27 de Novembro de 2009)

As autoridades do estado australiano do Território do Norte sobrevoaram de helicóptero a região de Outback para matar seis mil camelos selvagens. Os animais invadiam todas as noites Docker River, uma localidade de 350 habitantes, que pediram ajuda às forças de segurança para matar os animais que, devido à grande seca que está a afectar a região este ano, vão à procura de água junto da povoação.

De acordo com as autoridades, os camelos selvagens destruíam tudo o que encontravam pelo caminho, à procura de água. Os animais chegaram mesmo a derrubar vários contentores que contaminaram parte das reservas de água. Até ao momento, além dos vários danos materiais, não há informação sobre vítimas.

A Sky News avança que esta operação custou mais de 30 mil euros. Os defensores dos direitos dos animais já criticaram este plano e pediram à população de Docker River para que levantem barreiras, de forma a impedir que os camelos entrem durante a noite na povoação.

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Mafra: Macaca em depressão após ter sido retirada ao dono

(Por Isaltina Padrão. In DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 25 de Novembro de 2009)

Empresário, de 54 anos, comprou animal em Moçambique e manteve-o numa jaula. A GNR detectou a situação e o dono terá de pagar multa entre 20 e 30 mil euros

Há 14 anos, Carlos (chamemos-lhe assim) foi passar férias a Moçambique e de lá trouxe companhia: uma macaca bebé que, durante todo este tempo manteve em cativeiro numa casa na Venda do Pinheiro, no concelho de Mafra. O feito, que mais não é do que posse ilegal de animais, vai valer a este homem de 54 anos e empresário na área da publicidade uma multa que oscilará entre os 20 e os 30 mil euros, bem como o desgosto da separação da sua macaca de estimação, que, neste momento, mora já no Jardim Zoológico de Lisboa. Mas está infeliz.

Uma separação que terá causado danos (monetários, mas sobretudo emocionais) não só ao dono do animal, como ao próprio. Segundo fonte oficial do Jardim Zoológico, "o primata apreendido pela GNR encontra-se de quarentena" e ao que o DN apurou, a mudança de ambiente deixou a macaca, que terá hoje cerca de 15 anos, em estado depressivo.

De acordo com a presidente da Associação Animal, Rita Silva, "é perfeitamente normal que esteja deprimida". E justifica: "Estamos a falar de um ser [espécime Saguinus] altamente sociável e, independentemente das más condições em que poderia estar a viver, desenvolveu laços afectivos com aqueles com quem se relacionou durante anos. Essa era a única vida que a macaca conhecia e, de repente, foi desmoronada".

Para a Animal, situações como esta têm de ser alteradas sim, mas de forma gradual de maneira a não se ressentirem no bem-estar das espécies. Rita Silva diz ter sido por isso que a associação, alertada para esta situação de cativeiro há cerca de meio ano, ainda não tomou uma medida drástica. "Antes de fazer o resgate, nós estávamos a tentar encontrar uma situação de santuário para a macaca", explicou esta responsável, adiantando que por santuário entende-se "um local que abriga, para o resto da vida, animais que viviam de forma anti-natural e tenta recriar o seu habitat". Algo que, frisa, não "acontece no jardim zoológico e razão pela qual discordamos da decisão de transferir a macaca para lá".

Mas foi este o destino decidido pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, após a macaca ter sido retirada do cativeiro. O DN tentou contactar esta entidade, mas, até à hora de fecho desta edição, tal não foi possível.

Era numa jaula, nas proximidades de casa que Carlos mantinha a macaca que comprou com apenas um ano. O fim do cativeiro/infracção (ver caixa) que durou 14 anos ocorreu pelas 10.30 de segunda-feira, quando o Destacamento Territorial de Mafra da GNR, através do seu Núcleo de Protecção Ambiental detectou a macaca. "Temos feito a recolha de muitas informações, nomeadamente de notícias publicadas, que nos conduziram até este animal", disse ao DN, fonte da GNR, apelando às pessoas que conhecerem situações semelhantes a denúncia das mesmas. Tal pode ser feito através da linha SOS Ambiente e Território, cujo número de telefone é: 808200520 (grátis).

A Associação Animal também defende o resgate, mas nunca da forma "bruta como este foi feito".

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Motivação constante para fazer mais e melhor

[Miguel Moutinho, dirigente da ANIMAL, em entrevista à ANDA – Agência de Notícias dos Direitos dos Animais, do Brasil]

(In ANDA, 20 de Novembro de 2009)

Com formação em Filosofia, Miguel Moutinho é ativista dos direitos animais e vegano desde 1998. Entre outros projetos em defesa dos animais que fundou e coordenou, está o Centro de Ética e Direito dos Animais. Desde 2002, ele é dirigente da ANIMAL, uma organização fundada em 1994, que completa este ano 15 anos de existência a serviço dos animais de Portugal, e que é, atualmente, uma das mais ativas organizações de direitos animais da Europa. Nesta entrevista concedida com exclusividade à ANDA, Miguel Moutinho fala sobre o trabalho da ONG que dirige, analisa a relação da sociedade com os animais e apresenta sua visão sobre as correntes no movimento de defesa animal. Confira!

ANDA – Como analisa o estado do respeito pelos animais em Portugal, da defesa e da proteção destes?

Miguel –
Ao longo dos últimos anos, a sociedade portuguesa evoluiu bastante no que diz respeito ao seu grau de consciência acerca das características dos animais, das suas necessidades, e acerca dos muitos problemas que os afetam. O chamado public awareness, ou seja, a consciência pública e do cidadão comum acerca dos direitos dos animais e das violações destes – no caso, em Portugal – evoluíram imenso, fruto de um intenso trabalho de campanha, de alerta e de informação e sensibilização que tem sido feito, nomeadamente pela ANIMAL. Claro que, por outro lado, as muitas injustiças e atrocidades que são cometidas contra os animais passaram a ser mais conhecidas, mais identificadas e mais discutidas, pelo que se pode ter a percepção de que haverá hoje mais problemas que afetam os animais em Portugal do que havia no passado. Contudo, sendo embora verdade que os problemas não diminuíram, eu diria que, ainda assim, não há mais problemas – há apenas a manutenção dos muitos que sempre houve e há uma maior consciência desses mesmos problemas e da sua intensidade. Não deixa, porém, de ser verdade que o Estado Português, sobretudo por omissão de uma ação pedagógica, legislativa e inspectiva, preventiva e punitiva, no sentido de proteger os animais do país, tem permitido que haja uma quase total impunidade em relação a quem comete qualquer forma de abuso contra animais, seja em que contexto for, embora isso se note mais quando as vítimas são os chamados “animais de companhia”, principalmente os cães e os gatos, que são aqueles que estão mais próximos das pessoas e por quem estas nutrem uma especial empatia e simpatia. Essa mesma impunidade e os problemas que estão na sua base e que dela são efeito registam-se, no entanto, também fora desta área, que é mais popular, mas, justamente por isso, são menos notados, embora também haja um crescendo de consciência e preocupação dos cidadãos em relação a esses animais e a estas questões. Este é o quadro geral. Em termos mais concretos, notam-se sinais específicos muito positivos: muitas pessoas começam a compreender, muitas vezes intuitivamente, até, o erro da expressão “donos”; nos dois últimos anos, sobretudo, passou a ser reconhecida como uma questão muito importante o lamentável fato de os animais serem juridicamente categorizados como “coisas”; também nos últimos anos a repulsa social pelos atos de crueldade contra animais mais públicos, mais evidentes e mais imediatamente perceptíveis como errados, como é o caso das touradas, dos circos com animais e dos rodeios, cresceu e ganhou expressão política; além disso, nos últimos anos tem havido cada vez menos caçadores ativos, embora haja ainda muita caça, infelizmente. A experimentação animal passou também a ser uma questão que merece atenção, além de haver um fenômeno crescente de adesão ao vegetarianismo e ao veganismo, com restaurantes vegetarianos a abrirem portas (e a manterem-se em atividade e bem-sucedidos) por todo o país, sobretudo nos meios mais urbanos mas já com alguma expressão também no interior do país, ao mesmo tempo que, desde as mercearias pequenas aos hipermercados, a oferta de produtos para vegetarianos e veganos tem crescido tremendamente. Há cada vez mais associações e grupos informais de proteção dos animais a atuar por todo o país, embora infelizmente ainda não de forma muito sofisticada e modernizada, mas é uma questão de tempo até que este meio se organize melhor, modernize e melhore as suas práticas e venha a fazer um trabalho melhor pelos animais. Considerando todos estes elementos, diria, pois, que a realidade portuguesa, apesar das suas muitas barreiras culturais de resistência aos direitos dos animais e apesar dos seus problemas muito próprios, também decorrentes do fato de Portugal ser um país periférico, está em progresso visível no que se refere à maneira como os animais são vistos e tratados, faltando principalmente que o Estado acompanhe, por meio de medidas políticas diversas e pela concretização prática destas, os avanços importantes que a sociedade portuguesa tem dado neste domínio.

ANDA – Que trabalho tem feito, nomeadamente por intermédio da ANIMAL, na defesa dos direitos dos animais em Portugal?

Miguel –
Fundamentalmente, a ANIMAL tem feito um esforço hercúleo, ao longo dos seus já quinze anos de existência, e sobretudo nos últimos anos, para ser um autêntico motor de potenciação e realização de todos estes progressos. A ANIMAL tem sido a única organização do seu gênero a atuar em Portugal. A esmagadora maioria das organizações de proteção dos animais do país atua em nível local, exclusivamente ou quase exclusivamente na prestação de assistência e proteção a animais individuais, particularmente a cães e a gatos, lidando com os muitos dramas que os afetam, nomeadamente com o abandono, que acontece impunemente em Portugal ainda hoje. A ANIMAL tem procurado fazer o outro trabalho, igualmente importante, de despertar consciências, de informar as pessoas e de, com base nisso, tentar envolvê-las e à sociedade portuguesa neste processo de mudança sobre o modo como os animais são e devem ser vistos e tratados. E claro que este trabalho tem envolvido um muito amplo trabalho jurídico, político e legislativo, assim como mediático. Como disse, as resistências são muitas, os problemas culturais e a hesitação em mudar hábitos e comportamentos, tornando-os mais éticos, são obstáculos que se têm apresentado – e que todas as organizações de direitos humanos, de direitos dos animais e ambientalistas conhecem, de forma mais ou menos intensa, em qualquer parte do mundo, e a escassez de recursos e de apoios também não tem ajudado. Tal deve-se também ao fato de a ANIMAL ser muito leal aos animais, pelo que, embora seja uma organização que se pauta pela racionalidade, pela razoabilidade, pela tomada de posição éticas em defesa dos animais com base na melhor informação disponível e em fatos objetivos – ou seja, tendo uma abordagem racional e não emocional à defesa dos direitos dos animais –, tem necessariamente que defender os direitos dos animais por completo, e não apenas “mais ou menos”, o que faz com que se torne uma organização menos atrativa, sob alguns pontos de vista, para receber apoios. É também uma organização que faz questão de ser totalmente independente, razão pela qual nunca recebeu nem nunca aceitaria receber qualquer apoio de qualquer organismo do Estado. Ora, com uma tão firme observação e defesa destes princípios, e tendo em consideração que a ANIMAL se distanciou inclusivamente de muitas organizações, como a WSPA, PETA, HSUS, RSPCA e CIWF, entre outras, pelo fato de estas defenderem e tomarem posições que a ANIMAL considera que não respeitam nem promovem os direitos dos animais, a existência de recursos e de parcerias para a realização deste trabalho torna-se um desafio ainda maior. Mas o que é verdade é que, embora com muito esforço e sacrifício, a ANIMAL tem estado dedicada, leal e determinadamente ao serviço dos animais de Portugal e apoiando, na medida do possível, quem se preocupa com eles.

ANDA – Acha que tem sido bem-sucedido?

Miguel –
Apesar do muito que ainda há por fazer e apesar do muito que, com mais recursos humanos e financeiros, poderia ter sido feito, sim, considero que tem sido um trabalho bem sucedido. A ANIMAL tem tentado, ao longo dos anos, estar ao nível do melhor que se faz no mundo em termos de defesa dos direitos dos animais. Com uma estrutura muito pequena e com uma tremenda limitação de recursos diversos, a ANIMAL tem ainda assim conseguido fazer em Portugal um trabalho que, proporcionalmente, se pode equiparar ao trabalho de algumas das maiores, mais capacitadas, incluindo em termos de recursos, e mais dinâmicas e reconhecidas organizações de proteção dos animais da Europa e dos EUA. Claro que, para qualquer defensor dos direitos dos animais, tudo o que fazemos para que a justiça que é devida aos animais não-humanos seja concretizada é sempre pouco e não chega, sobretudo quando vemos sucessivas evidências de que o que está por fazer para instituir de fato os direitos dos animais e a proteção destes é uma tarefa monumental e assustadora, que se subdivide em milhares de trabalhos diversos e necessidades múltiplas que precisam de ser supridas. Não nos sentimos em paz nem satisfeitos, enquanto tantas injustiças e atrocidades são cometidas, e pensamos sempre que podemos e devemos fazer mais e melhor. Mas somos humanos, temos limitações diversas, num país difícil para os animais, e, tentando analisar o nosso trabalho e o impacto que tem tido para os animais e na sociedade portuguesa, no modo como esta se relaciona com os animais, entendo que é legítimo considerar que a ANIMAL tem sido bem sucedida no seu trabalho pelos animais em Portugal.

ANDA – E, de uma perspectiva mais global, como vê, nomeadamente num ângulo de comparação, a proteção dos animais na Europa, no Brasil e no Mundo?

Miguel –
O Brasil, do mesmo modo que tem vindo a crescer social, econômica e politicamente, tem avançado imenso no que diz respeito à proteção dos animais. Em muitos sentidos, e embora dependendo da cidade ou do estado de que estejamos a falar, o Brasil é mais avançado nesta área do que muitos países da União Europeia, incluindo Portugal. Quanto à Europa, é desigual, naturalmente. A União Europeia, por exemplo, é composta por 27 estados-membros com histórias e experiências sociais, culturais, políticas e económicas muito diferentes entre si. Por isso, também se notam essas diferenças na proteção dos animais. Para todos os efeitos, a União Europeia, enquanto legislador, tem definido mínimos, na área da proteção dos animais, que têm forçado mudanças importantes, sobretudo pelas implicações que têm nas mudanças de percepção e de hábitos dos seus povos em relação aos animais, em muitos dos seus estados-membros, mas está ainda hoje muito aquém do necessário e do esperado. A União Europeia tem que representar e materializar a modernização – incluindo do ponto de vista moral e político, nas matérias de importância moral, como é o caso dos direitos dos animais – e não deve ceder às resistências que favorecem arcaísmos sanguinários como as touradas, por exemplo. Presentemente, os 27 estados-membros da União Europeia toleram, indefensavelmente, a brutalidade cometida contra os animais nas touradas em apenas 3 estados-membros: Portugal, Espanha e França. Acredito que isso seja transitório e que será uma questão de tempo até que a UE tome posição contra isto, mas é mais natural e expectável que, entretanto, os sobressaltos cívicos que se têm registado em Portugal, em Espanha e em França contra as touradas levem a que esses estados as proíbam – há até já vários sinais que indicam que isso poderá estar perto de acontecer. A UE deveria também ter uma política central de proteção dos chamados “animais de companhia”, mas, até agora, tem-se auto-excluído dessa área. Neste contexto, tem crescido a solidariedade e o trabalho em rede entre organizações dos diversos estados-membros, coligadas formal ou informalmente, para lidar com problemas específicos, como a experimentação animal, a criação, exploração e morte de animais com fins alimentares, ou pelo seu pêlo, a manutenção e o uso de animais em estabelecimentos de entretenimento, etc., mas, a meu ver, o movimento europeu está ainda muito descoordenado e dividido, porque está a tentar adaptar-se à nova realidade quase-federativa da União Europeia, tentando lidar, ao mesmo tempo, com as violações dos direitos dos animais que ocorrem no seu espaço nacional, tendo que o ver também como espaço europeu, trabalho esse que essas organizações se vêem obrigadas a ter que fazer na esfera nacional e na esfera comunitária. É uma adaptação que espero e antecipo que se torne mais rápida e mais eficaz em breve, e que venha a permitir melhorar os seus resultados para os animais. Quanto aos EUA, têm, na minha opinião, as melhores estruturas de proteção dos animais no mundo. Os melhores santuários, para animais de espécies domésticas e selvagens, estão nos EUA, por exemplo. Mas, por ser um país muito heterogéneo, tem, dentro de si, gravíssimos problemas de difícil solução e, ao mesmo tempo, os melhores exemplos dos diferentes tipos de trabalho que há a fazer na defesa dos direitos dos animais. De resto, globalmente, apesar do holocausto animal ser ainda desesperantemente tremendo e avassalador, a verdade é que o mundo não pára de caminhar no sentido de respeitar e proteger cada vez mais os animais. Sintoma disso é, indubitavelmente, o fato de cada vez mais pessoas reconhecerem que não é legítimo alimentarem-se de animais ou aproveitarem-se, direta ou indiretamente, da sua exploração e violentação – o vegetarianismo e o veganismo são cada vez mais comuns e os apelos, das mais diversas fontes – até já da FAO, das Nações Unidas –, para que as pessoas adoptem dietas e hábitos de consumo livres de exploração de animais são cada vez maiores, mais repetidos e mais diversificados.

ANDA – Na discussão entre as diversas correntes da defesa dos animais, desde o bem-estarismo estritamente reformista ao abolicionismo puro, qual é a posição em que se encontra e que defende?

Miguel –
Eu considero que é moralmente errado defender apenas a proteção do bem-estar relativo dos animais enquanto são explorados e até serem mortos, admitindo a exploração, o aprisionamento e/ou a morte deles. Não há uma única razão moral válida que possa sustentar essa injustiça. Por isso, defendo que não é legítimo defender a reforma da exploração animal e que temos, isso sim, o dever de defender e promover a abolição de todas as formas de exploração e opressão dos animais não-humanos. Por isso, recuso terminantemente uma posição reformista, que considero ser eticamente errada e inaceitável. Chamar-me-ia, por isso, abolicionista. No entanto, lamento a maneira irrazoável com que o chamado abolicionismo tem sido defendido, nomeadamente por teóricos como Gary Francione. Se as posições que este defende fossem aplicadas exatamente como ele as propõe, estaríamos a prestar um mau serviço aos animais, na minha opinião. As críticas dele às campanhas “single issue” (por exemplo, a uma campanha que aborde apenas os circos com animais ou as touradas ou a experimentação animal) são absurdas. Desde quando é que defender, numa campanha específica, o fim das touradas ou da experimentação animal é admitir que tudo o resto que essa campanha não aborda é aceitável ou menos importante? Na verdade, as campanhas “single issue” são muito úteis para centralizar questões e dar a possibilidade às pessoas de compreenderem os problemas particulares de forma singularizada, sem prejuízo da importância de se articular esses problemas particulares com o problema global, de base, do especismo e das suas implicações. Ao mesmo tempo, e ainda que seja fundamental fazer campanhas e educação a favor do veganismo, não é razoável pensar que isso chega ou que deveríamos apenas dedicar-nos a fazer campanhas acerca do veganismo porque o veganismo abrange tudo. A este propósito, e sem prejuízo da necessidade de promover o veganismo o mais possível, não vejo o que pode haver de errado em conseguir, de imediato, que uma qualquer atividade negativa para os animais possa ser abolida para já, ainda que todas as outras continuem. E não penso que seja perda de tempo apostar tempo e recursos em fazer com que isso aconteça em vez de nos dedicarmos só à defesa do veganismo. São trabalhos complementares que podem e devem ser feitos simultaneamente. Outra crítica que faço a Francione está relacionada com a sua recusa de aceitar qualquer iniciativa em defesa dos animais que seja, ainda que transitória ou instrumentalmente, reformista ou que trate os animais como “coisas”, juridicamente. E explico porquê. Por exemplo, presentemente, em Portugal, os animais são ainda categorizados como “coisas” no Código Civil. A legislação que os protege é extremamente branda e omissa e prevê que qualquer ato de crueldade contra animais, qualquer que ele seja, constitui apenas uma contra-ordenação, ou seja, um delito menor, punível com uma sanção económica (equivalente a uma multa), e não como um crime. Por isso, entendo que, ainda que transitoriamente, e sem prejuízo dos esforços que façamos para mudar a legislação para que seja mais correta e mais justa para os animais (esforços esses que estarão já perto de ser bem sucedidos – o Ministério da Justiça português está a avançar com uma medida nesse sentido e a ANIMAL tem feito o que pode para garantir que essa medida é concretizada), a verdade é que, no imediato, poderemos salvar muitas vidas de animais se não nos limitarmos a tentar prevenir ou punir um ato de crueldade apenas tratando-o enquanto mera contra-ordenação (caso em que a lei considera que, intrinsecamente, esse ato de crueldade é um delito menor), acrescentando-lhe, em vez disso, a dimensão de crime – crime de dano –, uma vez que o animal será de alguém, e portanto será uma coisa de alguém que será danificada (caso em que a lei considera que, extrinsecamente, esse mesmo ato de crueldade é um delito criminal grave), o que, por essa via, poderá permitir salvar a vida a muitos animais e fará uma enorme diferença, no imediato. Não será assim em todos os casos, mas é em muitos. Ainda que essa categoria seja errada, injusta e chocante, se ela permitir salvar uma vida neste momento, deve ser usada. Do meu ponto de vista, não faz sentido atendermos a princípios morais puros de abolicionismo puro, como defende Francione, sem atendermos às suas consequências para os animais. No limite, teremos que analisar questão a questão, caso a caso, devendo sempre lembrar os princípios e afirmá-los, procurando sempre mudar a sociedade e as suas leis para protegerem de forma mais justa e correta os direitos dos animais. Não há qualquer dúvida acerca disso. Mas também devemos fazê-lo não fechando os olhos, no imediato, às consequências das nossas decisões, aos recursos que temos para defender animais e à diferença que isso faz para eles. O ponto é: se esse expediente jurídico for o único que, no momento, me permite salvar a vida a um animal, eu vou usá-lo, ainda que tenha que dizer, em tribunal, que o animal é, juridicamente, uma coisa (acrescentando-lhe, claro, mais elementos argumentativos e fazendo, ainda assim, uma crítica a essa categoria injusta e errada). Se o animal for salvo e ficar bem em resultado disso, isso foi justificado e eu considero que tinha o dever de fazer isso. Tal não impede, porém, que, tanto em tribunal como em qualquer outro contexto, eu continue a apontar e a criticar o mais possível a injustiça e o absurdo de categorizar e tratar os animais como coisas. Mas, se os defendo e se lhes sou leal, não me posso sentar numa poltrona de moralidade completamente desinfectada, escolher não me envolver com questões em que a minha ação pelos animais pode fazer toda a diferença, designadamente usando os recursos jurídicos atualmente disponíveis para tal, e limitar-me a afirmar princípios moralmente puros e a defendê-los apenas na sua forma mais correta, deixando, entretanto, que muitas injustiças sejam cometidas quando podem ser evitadas através destas estratégias e métodos, enquanto se defendem também os direitos dos animais de uma maneira mais abrangente, teórica e moralmente mais correta. Tudo isto serve para dizer que, como o abolicionismo está presentemente muito ligado a Gary Francione e à maneira como ele o apresenta, eu não me considero abolicionista. Sou, no fundo, vegano, ativista e defensor dos direitos dos animais e “no-kill” (só considero aceitável eutanasiar um animal no caso de verdadeira eutanásia, ou seja, em que haja razões éticas e razões clínicas indiscutíveis que, combinadas, o justifiquem, pelo que me oponho terminantemente a políticas como a defendida e executada pela PETA e outras, que matam e advogam a morte de animais por alegadamente não haver lar para eles). É este, de resto, o posicionamento da ANIMAL.

Touros ferem dois em gravações de 'Knight and Day'

Tom Cruise e Cameron Diaz são protagonistas do filme

(In CORREIO DA MANHÃ, 23 de Novembro de 2009)

As gravações de ‘Knight and Day’, o novo filme de James Mangold, protagonizado por Tom Cruise e Cameron Diaz em Cádiz, Espanha, foram suspensas este domingo depois de sete touros, que participavam na produção, escaparam, ferindo duas mulheres.

“Estamos consternados com o sucedido. Até ao momento desconhecemos os motivos que levaram à fuga dos animais”, declarou Jose Luis Escolar, director da produtora Calle Cruzada.

Ignacio Romaní, porta-voz da Câmara de Cádiz, anunciou que as filmagens ficarão suspensas “enquanto a produtora não apresentar um relatório sobre o sucedido e exista uma plano de segurança para evitar que tal se repita”.

National Geographic Channel estreia série documental «Ink Rescue» dia 1 de Dezembro

(In DIÁRIO DIGITAL, 23 de Novembro de 2009)

O National Geographic Channel (NGC) vai estrear no dia 1 de Dezembro, às 21:15, a série documental «Ink Rescue», que acompanha uma equipa improvável na defesa pelos direitos dos animais.

Ao longo de seis episódios, a série vai dar a conhecer um grupo de motards que formou uma organização de ajuda animal «completamente diferente de todas as outras que conhecemos», a Rescue Ink, segundo o canal.

Alguns dos elementos da organização têm no passado problemas com as autoridades e situações de violência, mas procuram redimir-se ajudando animais que sofrem abusos por parte dos seres humanos.

Semanalmente, chegam à Ink Rescue, em Long Island, cerca de 100 chamadas a reportar abusos contra animais. Estes homens – porteiros de discotecas, seguranças, bombeiros ou até antigos detectives da polícia de Nova Iorque – respondem a pedidos que nenhuma outra organização acorreria.

O primeiro episódio, «Rebeldes com uma Causa», vai para o ar dia 1, às 21:15. Estará em destaque o caso de um pit bull com um longo historial de ataques que exige acompanhamento especial para uma nova oportunidade de viver num lar, entre outras situações.

Segue-se «Morder a Língua», dia 8, à mesma hora. No dia 15, é transmitido «Encontros Arriscados».

«A Casa dos Horrores» vai para o ar dia 22 de Dezembro. «Missões de Salvamento» tem estreia prevista para dia 29 de Dezembro e, por fim, «Assassinos de Pit Bull» é emitido a 5 de Janeiro.

[Para saber mais acerca do Rescue Ink, por favor visite: http://www.rescueink.org/ e http://channel.nationalgeographic.com/series/rescue-ink-unleashed/all/Overview]

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Circo sem animais força criatividade

Directora criativa do Cirque Soleil diz que proibição da compra de animais estimulará a criatividade artística

(In DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 18 de Novembro de 2009)

A directora criativa do Cirque Soleil Lyn Heward considerou que a portaria portuguesa que proibe a compra ou reprodução de animais para o circo obrigará os artistas circenses a desenvolver a sua criatividade.

Lyn Heward disse no seminário sobre Criatividade, destinado a empresários, em Lisboa, que não era nem a favor nem contra a presença de animais no mundo do circo. "Pessoalmente, adoro animais e não me incomoda vê-los a actuar.", afirmou.

O quê a preocupa é a forma como se encara esse trabalho, como são expostos e transportados. "Ao contrário do ser humano, um animal não toma a decisão de ser artista de circo porque não tem essa capacidade de escolha", frisou.

Lyn Heward até vê vantagens: "Se não puder haver animais no espectáculo, então o ser humano vai ter que desenvolver muito mais a sua criatividade. E isso é óptimo", defendeu. Esta medida não preocupa o Cirque Soleil, que não trabalha com animais.

Este circo canadiano começou com 73 artistas de rua e actualmente tem 20 diferentes espectáculos espalhados pelo mundo e 4.000 empregados, dos quais 1.100 são artistas.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Abdicar de matar

(Por Luís Portela. In “Jornal de Notícias”, 4 de Novembro de 2009)

Assassino é, segundo os dicionários, quem mata ou manda matar com intenção. O termo está relacionado com a ideia de morte provocada com violência, mais ou menos premeditada e/ou de forma traiçoeira.

Poderá colocar-se a questão se os perto de 300.000 portugueses que, às quintas-feiras e domingos, entre Agosto e Fevereiro, matam animais a tiro pelos campos deste país, normalmente conhecidos por caçadores, podem ou devem ser chamados de assassinos.

Matam com intenção, de forma premeditada, com violência, traiçoeiramente, seres indefesos e que nada terão feito para merecerem o sofrimento a que muitas vezes são sujeitos pela sensação de perseguição, pelo susto, a dor e a agonia provocados pelos tiros dos caçadores ou pelas dentadas dos seus cães. Seres pacíficos, belos, úteis, com direito à vida, que nada terão feito para merecerem a morte.

Não matam em defesa própria, nem por necessidade. Matam por prazer ou… por desporto. Não matam corajosamente, olhos nos olhos, quem tem meios de defesa e poder de contra-ataque. Matam seres inocentes, sem qualquer capacidade de defesa. E fazem-no por prazer ou… por desporto.

Mas os dicionários referem a palavra assassino relacionada com a morte de pessoas. Não costuma ser utilizada para quem comete o mesmo acto em outros animais, pelo que a sua utilização - pelo menos para já - é inadequada.

E digo "pelo menos para já" porque penso que, mais cedo ou mais tarde, a humanidade irá reprovar fortemente quem não respeite as mais diversas formas de vida. Não sei se os caçadores algum dia vão ser chamados de assassinos. Mas tenho a convicção de que a caça virá a ser reprovada por um cada vez maior número de pessoas e, eventualmente, proibida.

Entretanto, muito gostaria que as pessoas que criaram o gosto pela caça meditassem um pouco no que realmente fazem e se - face às leis universais - podem ou devem fazê-lo. Mais bonito que a proibição da caça, seria que cada um dos caçadores abdicasse do seu prazer ou… do seu desporto.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Por favor, peça ao Governo para alterar o enquadramento jurídico dos animais no Código Civil

Por favor, peça ao Governo para aprovar o projecto de decreto-lei apresentado em Maio pelo Ministério da Justiça para alterar o enquadramento jurídico dos animais no Código Civil, de modo a que estes deixem de ser tratados juridicamente como "coisas" de forma tradicional

Em Maio do ano corrente, o Gabinete de Política Legislativa do Ministério da Justiça deu conhecimento à ANIMAL da sua proposta para rever e actualizar o presente enquadramento jurídico dos animais no Código Civil Português. Antes dessa proposta final do Ministério da Justiça ter sido apresentada, o mesmo organismo do Ministério da Justiça tinha já consultado a ANIMAL para obter a posição desta organização sobre como entenderia que esta revisão legislativa deveria ocorrer, ao que a ANIMAL respondeu, na altura, com as suas propostas e comentários. E, apesar da proposta final do Ministério da Justiça, sob a forma de um projecto de decreto-lei, não ter correspondido inteiramente às reclamações da ANIMAL, a verdade é que, logo na altura, a ANIMAL acolheu aquela proposta como muito positiva, merecedora de apoio e saudação, tendo, desde logo, apelado a todos os seus apoiantes para que escrevessem àquele organismo do Ministério da Justiça pedindo-lhe que avançasse com os procedimentos necessários para levar aquela proposta a efeito, congratulando também a forma encontrada pelo Gabinete de Política Legislativa do Ministério da Justiça para finalmente estabelecer um novo, mais moderno e mais justo enquadramento jurídico dos animais no Código Civil – onde estes se encontram, até hoje, categorizados (e vítimas das implicações jurídicas dessa categoria) como “coisas”.

Entre outros pontos que este projecto de decreto-lei do Ministério da Justiça contempla, destaca-se a proposta de inclusão, entre outras disposições positivas, das seguintes normas no Código Civil:

- “Os animais, enquanto seres sensíveis, embora possam ser objecto de relações jurídicas, não são coisas e a sua protecção opera-se por via de lei especial.”

- “O direito de propriedade de um animal não contempla a faculdade de recurso a maus-tratos ou actos cruéis, nem de destruição, ressalvadas as excepções contempladas em legislação especial.”

- “O proprietário de um animal deve observar, no exercício dos seus direitos, as disposições especiais de protecção dos animais, devendo assegurar o seu bem-estar.”

Para a ANIMAL, apesar desta não ser uma solução eticamente perfeita, trata-se de uma proposta bastante correcta e capaz de afectar, de forma muito significativa, toda a protecção legislativa e jurídica dos animais em Portugal, oferecendo uma resposta inteligente e transitoriamente correcta (até que a sociedade deixe de todo de considerar os animais propriedade) que, no imediato, pode melhorar importantemente as suas garantias e graus de protecção. É de destacar que este novo enquadramento dos animais no Código Civil que se deseja que seja efectivado rapidamente não mudará, por si só, a protecção jurídico-legislativa dos animais em Portugal para melhor – mas estabelecerá, sem dúvida alguma, uma base fundamental para que tal aconteça.

Entretanto, porém, até hoje, o referido projecto de decreto-lei não foi votado no Conselho de Ministros, para que pudesse, assim, ser aprovado e entrar em vigor, com todas as positivas implicações jurídicas, directas e indirectas, que trará para os animais. Agora, que o novo Governo, com todos os seus novos membros, já está em funções, é tempo de retomar esta reclamação e de pedir ao Governo como um todo, e mais particularmente ao Ministro da Justiça, que tomem uma decisão simples mas vital: que votem, aprovem e façam entrar em vigor o projecto de decreto-lei elaborado pelo Gabinete de Política Legislativa do Ministério da Justiça que visa rever, modernizar e tornar mais justo e mais correcto o enquadramento jurídico dos animais não-humanos no Código Civil Português.

Por favor, envie a mensagem abaixo sugerida – ou, se preferir, escreva a sua própria mensagem – ao Primeiro Ministro, ao Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, ao Ministro da Justiça, à Directora-Geral da Política de Justiça do Ministério da Justiça, com conhecimento ao Ministro da Agricultura, ao Director-Geral e à Subdirectora-Geral de Veterinária, e aos seis líderes parlamentares na Assembleia da República, pedindo a aprovação urgente pelo Conselho de Ministros do referido projecto de decreto-lei do Ministério da Justiça. Por favor, envie a sua mensagem para: pm@pm.gov.pt; gab.mp@mp.gov.pt; gmj@mj.gov.pt; correio@dgpj.mj.pt; Com Conhecimento (Cc) a: gabministro@madrp.gov.pt; dgsdg@dgv.min-agricultura.pt; secretariado.direccao@dgv.min-agricultura.pt; gp@ps.parlamento.pt; gp_ps@ps.parlamento.pt; gp_psd@psd.parlamento.pt; gp_pp@pp.parlamento.pt; blocoar@ar.parlamento.pt; gp_pcp@pcp.parlamento.pt; Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mailgp_pev@pev.parlamento.pt; pev.correio@pev.parlamento.pt; campanhas@animal.org.pt.

Mensagem Sugerida

Exm.º Senhor Primeiro Ministro
Exm.º Senhor Ministro da Presidência do Conselho de Ministros
Exm.º Senhor Ministro da Justiça
Exm.ª Senhora Directora-Geral da Política de Justiça do Ministério da Justiça

Com Conhecimento a:

Exm.º Senhor Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
Exm.º Senhor Director-Geral de Veterinária
Exm.ª Senhora Subdirectora-Geral de Veterinária

Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PS
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PSD
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do CDS-PP
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do BE
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PCP
Exm.º Senhor Presidente do Grupo Parlamentar do PEV

Excelências,

Em Maio do ano corrente, no seguimento de consultas feitas por esse organismo a associações de protecção dos animais, o Gabinete de Política Legislativa do Ministério da Justiça apresentou uma extremamente pertinente e correcta proposta de decreto-lei que visava alterar o enquadramento jurídico dos animais no Código Civil Português, de modo a que estes passassem a deixar de ser tradicionalmente categorizados como “coisas”, tendo essa proposta incluído, entre outras, as seguintes formulações muito positivas de novas normas que respeitantes ao enquadramento jurídico dos animais neste domínio:

- “Os animais, enquanto seres sensíveis, embora possam ser objecto de relações jurídicas, não são coisas e a sua protecção opera-se por via de lei especial.”

- “O direito de propriedade de um animal não contempla a faculdade de recurso a maus-tratos ou actos cruéis, nem de destruição, ressalvadas as excepções contempladas em legislação especial.”

- “O proprietário de um animal deve observar, no exercício dos seus direitos, as disposições especiais de protecção dos animais, devendo assegurar o seu bem-estar.”

Sendo embora de destacar que esta alteração legislativa não resolverá, por si só, as muitas deficiências da legislação portuguesa de protecção dos animais – que deve ser revista e tornada mais moderna, mais eficaz e mais justa nesse domínio legislativo específico –, a verdade é que esta proposta do Ministério da Justiça, uma vez que seja aprovada em Conselho de Ministros e entre em vigor, virá finalmente pôr termo a um enquadramento jurídico arcaico, injusto e fortemente lesivo para os animais em Portugal e para as muitas cidadãs e cidadãos que se preocupam com eles.

É urgente aumentar, reforçar e melhorar a protecção jurídico-legislativa dos animais em Portugal, e parte dessa mudança legislativa passa, indiscutivelmente, pela aprovação e efectivação deste projecto de decreto-lei do Ministério da Justiça, que em boa hora foi preparado e apresentado e que merece a minha mais viva saudação.

É neste contexto que venho pedir ao Governo Português que, em Conselho de Ministros, dê prioridade à aprovação rápida deste projecto de decreto-lei, que já está elaborado e que foi, felizmente, elaborado e proposto exactamente por um organismo do Governo, e cuja aprovação urgente é extremamente necessária e desejada, na certeza de que virá estabelecer fulcrais bases no ordenamento jurídico português para que as muitas injustiças e atrocidades que diariamente são cometidas contra os animais de Portugal possam ser melhor prevenidas e melhor combatidas, nomeadamente através de um justo reconhecimento, no Código Civil Português, de que os animais não são nem podem ser vistos ou tratados como meras “coisas”.

Peço a V. Ex.as, em suma, se dignem dar os passos necessários, da forma mais breve possível, para que este projecto de decreto-lei do Ministério da Justiça seja aprovado pelo Governo, para que os animais de Portugal fiquem menos desprotegidos e para que, assim, eu e tantos outros portugueses possamos sentir que as nossas preocupações e aspirações cívicas relativamente aos animais e ao dever cívico de os proteger são escutadas e materializadas na Lei.

Agradecendo antecipadamente a atenção que possa ser dedicada à presente mensagem, apresento a V. Ex.ª os meus melhores cumprimentos e mais respeitosos cumprimentos,

[Indique o SEU NOME AQUI]
[Indique a SUA CIDADE E PAÍS AQUI]
[Indique o SEU ENDEREÇO DE E-MAIL AQUI]

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Luta de cães dá pena prisão até um ano

(Por LUSA. In SOL, 29 de Outubro de 2009)

Quem promove ou participa em lutas de cães pode ser punido com prisão até um ano, segundo um diploma hoje publicado em Diário da República que permite a reprodução ou criação de animais potencialmente perigosos em locais autorizados.

O decreto-lei 315/2009, que entra em vigor no próximo dia 1 de Janeiro, agrava a penalização dos promotores de lutas de cães e dos detentores das raças de cães potencialmente perigosos, como o Pit Bull ou o Rottweiler, que não cumpram os requisitos que a lei exige, como o registo e o licenciamneto destes animais.

Até agora quem não cumpria estes requisitos habilitava-se apenas a uma multa que variava entre os 500 e os 3740 euros para particulares, mas atingia os mais de 44 mil euros no caso das pessoas colectivas, de acordo com um despacho publicado no ano passado.

No preâmbulo do diploma hoje publicado, o Ministério da Agricultura (também autor do despacho de 2008) reconhece que a punição como contra-ordenação das ofensas corporais causadas por animais de companhia «não é factor de dissuasão suficiente», razão por que tipifica agora esses comportamentos como crime.

O despacho do ano passado impunha ainda a esterilização dos animais classificados como potencialmente perigosos, incluindo os resultantes de cruzamentos com raças perigosas, e proibia a sua reprodução ou criação.

No diploma hoje publicado, o Governo permite a reprodução em locais devidamente autorizados, com requisitos especiais.

O detentor de um animal perigoso vai, a partir do próximo mês de Janeiro, ser obrigado a ter um seguro de responsabilidade civil para cobrir eventuais danos causados pelo animal e fica obrigado ao que a lei chama de «dever especial» de vigilância, para evitar que ponha em risco a vida ou a integridade física de outras pessoas.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Correcção Urgente: é a Cáritas de Évora que será beneficiária de Tourada e não a de Beja

Por favor, envie o seu protesto contra a “Tourada de Beneficência” da Cáritas da Arquidiocese de Évora

Por lapso que a ANIMAL lamenta desde já e pelo qual apresenta o seu mais sincero pedido de desculpas, no apelo que ontem a ANIMAL enviou no sentido de serem dirigidos protestos contra uma “tourada de beneficência” de que uma das delegações da Cáritas – organização humanitária dependente da Conferência Episcopal Portuguesa [Igreja Católica Portuguesa] – será beneficiária, foi erradamente referido que seria a Cáritas da Diocese de Beja a delegação da Cáritas envolvida nesta vergonhosa “tourada de beneficência”. Na verdade, porém, é a Cáritas Diocesana de Évora, ligada à Arquidiocese de Évora, que será beneficiária desta tourada e que, inclusivamente, a anuncia no seu website, em http://www.caritas.pt/evora/default1.asp?caritaid=9.

1. Por favor, envie a mensagem abaixo sugerida – ou, se preferir, escreva a sua própria mensagem –, apresentando o pedido de desculpas pelo lapso à Presidente da Cáritas de Beja, com Conhecimento ao Bispo de Beja e à Direcção Nacional da Cáritas, mas pedindo-lhe, no entanto, que, enquanto Presidente da Cáritas de Beja, peça à Direcção Nacional da Cáritas e à Direcção da Cáritas de Évora que não autorizem o envolvimento da Cáritas nesta “tourada de beneficência”, que, a acontecer, comprometerá o bom nome da Cáritas como um todo – e não apenas a de Évora, visto que a Direcção Nacional da Cáritas pode e deve impedir que qualquer uma das suas delegações se envolva de algum modo com espectáculos de tortura de animais. Por favor, envie esta sua mensagem para: caritas@diocese-beja.pt; caritas@caritas.pt; bispo@diocese-beja.pt; Com Conhecimento (Cc) a campanhas@animal.org.pt.

Mensagem Sugerida (Cáritas de Beja)

Exm.ª Senhora Presidente da Cáritas de Beja:

Com Conhecimento:

Ao Bispo da Diocese de Beja
À Direcção Nacional da Cáritas

Exm.ª Senhora Presidente,

Venho por este meio apresentar-lhe o meu sincero pedido de desculpas pelo lapso cometido, visto que é a Cáritas de Évora – e não a de Beja – que está a promover a (e que se anuncia como sua beneficiária, como se pode ver no seu site, em
http://www.caritas.pt/evora/default1.asp?caritaid=9) vergonhosa “tourada de beneficência” que está anunciada para decorrer em Évora, no próximo sábado, 31 de Outubro. Por esta razão, quero pedir a V. Ex.ª desculpas por este lapso, mas não quero deixar de lhe pedir também que, enquanto Presidente da Cáritas de Beja, por favor envide todos os esforços no sentido de convencer tanto a Direcção Nacional da Cáritas como a Direcção da Cáritas de Évora a não permitirem que esta tourada ou qualquer outra ocorra sob a égide de uma instituição cujo bom nome e importante trabalho não podem ser postos em causa pelo envolvimento de qualquer uma das suas delegações num espectáculo de tortura de animais como o que se avizinha.

Deixo, pois, tanto o meu pedido de desculpas pelo lapso como este apelo à consideração de V. Ex.ª, e passarei a dirigir o meu protesto mais directamente para a Direcção da Cáritas de Évora, além de o fazer também com conhecimento ao Bispo de Évora, ao Patriarcado de Lisboa e à Direcção Nacional da Cáritas, na esperança de que todas estas entidades impeçam a Cáritas de Évora de ir por diante com esta nefasta e inaceitável associação a um evento tauromáquico.

Apresentando a V. Ex.ª os meus melhores cumprimentos e mais respeitosos cumprimentos,

[Indique o SEU NOME AQUI]
[Indique a SUA CIDADE E PAÍS AQUI]
[Indique o SEU ENDEREÇO DE E-MAIL AQUI]

2. Por favor, envie a mensagem abaixo sugerida – ou, se preferir, escreva a sua própria mensagem –, pedindo à Direcção da Cáritas de Évora e à Direcção Nacional da Cáritas, com conhecimento ao Bispo da Arquidiocese de Évora e ao Patriarcado de Lisboa, que não permitam que se concretize a vergonhosa “tourada de beneficência” a favor da Cáritas de Évora que está anunciada para o próximo sábado, 31 de Outubro, em Évora. Por favor, envie esta sua mensagem para: caritas.evora@mail.telepac.pt; caritas@caritas.pt; diocese@diocese-evora.pt; info@patriarcado-lisboa.pt; chancelaria@patriarcado-lisboa.pt; Com Conhecimento (Cc) a campanhas@animal.org.pt.

Mensagem Sugerida (Cáritas de Évora)

Exm.ª Senhora Presidente da Cáritas de Évora:

Com Conhecimento:

Ao Patriarcado de Lisboa
Ao Bispo da Diocese de Évora
À Direcção Nacional da Cáritas

Exm.ª Senhora Presidente,

Soube, através da Associação ANIMAL (e confirmei no anúncio apresentado no site da Cáritas de Évora, entre outros, em
http://www.caritas.pt/evora/default1.asp?caritaid=9) que, no próximo dia 31 de Outubro, sábado, terá lugar em Évora uma “tourada de beneficência” (uma contradição nos termos, pois não pode haver beneficência alguma onde há tortura) a favor da Cáritas Diocesana de Évora.

A contrastar com esta situação, uma outra instituição de solidariedade social que presta um notável e extremamente valioso trabalho de assistência e protecção a crianças em risco, o Refúgio Aboim Ascensão, rejeitou categoricamente uma semelhante proposta vinda da indústria tauromáquica, tendo, além do mais, prevenido os promotores tauromáquicos em causa de que, se associassem o nome e a instituição Refúgio Aboim Ascensão a qualquer tourada, seriam alvo de procedimento judicial por parte desta instituição, que, pelas palavras do seu Director-Executivo, Dr. Luís Villas-Boas, na resposta gentil e positiva que dirigiu à ANIMAL quando contactado a este propósito, mostrou, assim, que uma verdadeira instituição de solidariedade não aceita, a fim de favorecer uns (as crianças que bem protege), desfavorecer outros (os touros que seriam violentados numa “tourada de beneficência”).

É, a este respeito, inteiramente pertinente alertar V. Ex.ª para o facto da indústria tauromáquica, numa constante tentativa para se tentar legitimar moral e socialmente – uma vez que enfrenta grande contestação moral e a sua actividade suscita, hoje em dia, grande repulsa ética, social e cívica, em Portugal como em todo o mundo –, estar a procurar por todos os meios instrumentalizar instituições de solidariedade social, anunciando “touradas de beneficência”, como aquela a que faço referência, como meio de se apresentar como uma indústria eticamente preocupada, tentando, assim, diluir a oposição ética que levanta pelo facto de torturar e massacrar milhares de animais em praças de touros todos os anos, em várias zonas do país.

E é exactamente isto que os promotores desta corrida de touros estão a tentar fazer com esta chocante tortura de animais anunciada com fins de beneficência, a favor da Cáritas de Évora, assim comprometendo esta importante e respeitável instituição, cujo nome, trabalho, boa reputação e mérito poderão ficar seriamente comprometidos se a Cáritas aceitar, de facto, ser beneficiária de qualquer rendimento resultante de um espectáculo de violência contra animais – espectáculo este que até já um Tribunal de Lisboa considerou violento, anti-pedagógico e psicologicamente perigoso para crianças e adolescentes, e que algumas câmaras municipais deixaram de autorizar, exactamente pela violência imoral contra animais que neles é exercida.

Posto isto, exorto V. Ex.as a distanciarem-se totalmente desta vergonhosa tourada (ou de qualquer outra), salvando, assim, o nome, a reputação e a dignidade do trabalho da Cáritas e de todas as suas delegações, bem como da Igreja Católica Portuguesa, da qual só se pode esperar ser também veiculadora de uma mensagem de respeito pelos animais e nunca ser directa ou indirectamente participante ou beneficiária de actos de violência exercidos contra os mesmos.

Pela minha parte, passei a nutrir uma ainda maior admiração pelo Refúgio Aboim Ascensão, cujo trabalho ainda mais passei a querer apoiar desde que esta instituição tomou esta posição a que acima aludo, e espero que, ante a resposta positiva de V. Ex.ª a este meu apelo que ouso antecipar, possa vir também a reforçar a minha admiração pela Cáritas, instituição que acredito que se quererá distanciar da barbaridade que será cometida contra diversos touros, vitimando também cavalos, numa arena de Évora, no sábado próximo.

Agradecendo antecipadamente a atenção que possa ser dedicada à presente mensagem, e ficando na expectativa de uma resposta, que espero que seja positiva, apresento os meus melhores cumprimentos e mais respeitosos cumprimentos,

[Indique o SEU NOME AQUI]
[Indique a SUA CIDADE E PAÍS AQUI]
[Indique o SEU ENDEREÇO DE E-MAIL AQUI]

Dr. João Botas da Cáritas em entrevista com a antevisão do Festival de Évora

[Em entrevista ao site pró-tauromáquico, um dirigente da Cáritas afirma ser aficcionado, falando sobre a tourada a favor da Cáritas de Évora]

(In TAURODROMO.COM, 29 de Outubro de 2009)

O Taurodromo.com teve o previlégio de entrevistar o Dr. Carlos Bota da Cáritas e saber quais as expectativas para o Festival de Beneficiência a favor da Cáritas, sábado na Arena d´Évora.

1 - Dr. João é aficionado?
Sim. Sou aficionado desde pequeno.

2 - Como surgiu a ideia de um Festival Taurino a favor da Cáritas na Arena d´Évora?
A ideia surgiu de uma das respostas sociais da Caritas - A comunidade Terapêutica. Esta resposta social, tal como outras da Instituição, debate-se com algumas dificuldades financeiras e, assim, foi proposto à Direcção da Caritas a realização de um Festival Taurino para angariação de fundos. Ideia que a Direcção aprovou e que, por isso, está a concretizar.

3 - Não teme "represálias" de pessoas ou associações anti-taurinas, pelo facto da Cáritas estar associada a um Festival Taurino?
Julgo que não haverá represálias. A Caritas Diocesana de Évora é uma Instituição que centra a sua actividade na pessoa humana e que está sempre atenta às necessidades dos mais desfavorecidos. Não olha a diferenças de raças, credos ou culturas e é solidária para com todos e para todos os que dela necessitem.

Vivemos felizmente numa sociedade democrática onde as opções de cada um devem ser respeitadas. Além disso, todas as respostas socias, actividades e iniciativas da Caritas Diocesana de Évora têm como objectivo principal ajudar a minorar as necessidades da comunidade diocesana, cumprindo os objectivos de solidariedade e atribuindo prioridade às situações mais graves de pobreza e exclusão social.

Tendo presente estes objectivos, não creio que surjam represálias pela realização de um espectáculo com estas finalidades.

4 - Em sua opinião, o que é que a Festa Brava em Portugal tem a ganhar com a realização de Festivais de Beneficiência?
A Festa Brava também tem a ganhar com a realização de Festivais debeneficência uma vez que muitas pessoas vão assistir a estes eventos, não pelo facto de serem aficionados, mas pelas causas de solidariedade que originam a realização destas iniciativas e, a partir daí podem passar a ser espectadores habituais.

5- Como vê a preocupação da Empresa Terra Brava, na realização deste tipo de espectáculos?
A responsabilidade social das empresas é a integração voluntária de preocupações sociais nas suas operações e na sua interacção com todos os intervenientes. A Empresa Terra Brava contribui, assim, para a participação na satisfação de necessidades da comunidade local, pois trata-se da colaboração com a sociedade, de forma positiva, através do exercício de uma cidadania responsável.

6 - Quais as expectativas para sábado à tarde?
As nossas expectativas são muito positivas pois acreditamos que os aficionados vão estar presentes e contamos igualmente com muitas pessoas que vão marcar presença com o objectivo principal de apoio à Caritas Diocesana de Évora nas suas diversas actividades junto dos mais desfavorecidos.

7 - Uma mensagem a todos aqueles que possam ir sábado à Arena d´Évora?
Acreditamos que vai ser uma tarde agradável. O cartel é de gente jovem mas que se está a afirmar na tauromaquia, os toiros são de ganadarias de muita qualidade e os forcados de vários grupos, todos naturais de Évora.

Julgo que temos todas as condições para proporcionar a todos os que quiserem estar presentes uma tarde divertida e também solidária.

Aproveitamos para manifestar o nosso agradecimento público ao Empresário Sr. Carlos Pegado, aos Cavaleiros, aos Forcados, aos Ganaderos, e a todas as pessoas e entidades que de alguma forma estão a contribuir para a realização deste evento, bem como ao Tauródromo.com pela divulgação desta iniciativa.

Com os nossos agradecimentos enviamos os nossos melhores cumprimentos.

A ministra e o deputado

[Sobre a Ministra da Cultura, que esteve presente no Fórum Mundial da Cultura Taurina enquanto Directora Regional de Cultura dos Açores e que, de acordo com os tauromáquicos, "reconhece os encantos" das touradas]

(Por Maurício do Vale. In “Correio da Manhã”, 29 de Outubro de 2009)

Boas notícias dos Açores e do Porto. Uma ministra (da Cultura) e um deputado serão uma mais-valia para a tauromaquia!

Ela - Gabriela Canavilhas - foi a brilhante representante do Governo Regional que presidiu à abertura do Fórum Mundial da Cultura Taurina, que teve lugar na ilha Terceira. Da conversa que tive com a mesma resultou-me um convencimento de que, sem ser perita na matéria, reconhece os encantos da Festa de Touros, confessando-se receptiva a aprofundar conhecimentos, ela que é uma mulher sensível, pianista de relevo, que bem descobre as musicalidades da própria tauromaquia.

Ele - Michael Seufert - é um confesso aficionado. Do Porto chega com as convicções tauromáquicas tão intensas do Norte. Diz que não vai perder nenhuma corrida no Campo Pequeno e noutras praças locais. Em boa hora chega! O "tal" agora deputado que era presidente da Câmara de Viana do Castelo já vai ter quem lhe coloque oportunas questões por causa do ‘assassinato’ da Praça de Viana do Castelo...

A ministra Canavilhas e o deputado Seufert são duas esperanças de quem o país tauromáquico muito espera!

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Os Olhos dos Tigres

(Por Manuel António Pina. In “Jornal de Notícias”, 21 de Outubro de 2009)

Quando era criança e me levavam ao circo, o que mais me afligia eram os olhos dos tigres. Os olhos assustados e resignados dos macacos, os olhos sem vida de leões e elefantes, os dos cavalos aos círculos na pista, rasos e desorbitados como os dos cavalos dos carrosséis, os das esquálidas pequenas trapezistas, metidas em surrados fatos de lantejoulas e fixando vaziamente um ponto abstracto acima das nossas cabeças enquanto agradeciam, hirtas, os aplausos, entristeciam-me.

Mas nos dos tigres havia impotência e orgulho ferido, como se estivessem enclausurados dentro de si e não coubessem dentro de si. Sentia que nos desprezavam e que desprezavam a parte de si que, às ordens do domador, subia e descia ridículos escadotes ou saltava mecanicamente através de arcos em chamas. E culpava-me por assistir ao penoso espectáculo da sua humilhação, imaginando que deviam (com razão) odiar-nos. A lei que finalmente aponta para o fim do abuso de animais nos circos acaba com um espectáculo tão humilhante para os animais quanto para quem (como acontece igualmente nas touradas) se compraz com a sua humilhação.

domingo, 18 de Outubro de 2009

Os animais têm direitos?

A proibição da compra e reprodução de espécies selvagens por parte dos donos dos circos colocou o assunto de novo no centro do debate público

(Por Fátima Mariano. In “Jornal de Notícias”, 18 de Outubro de 2009)

Albert Schweitzer (1875-1965), médico e filósofo alsaciano, percursor da bioética e Prémio Nobel da Paz 1952, foi muitas vezes alvo de troça por parte dos seus contemporâneos por ter o cuidado de não pisar insectos e evitar matar os micróbios que observava através do microscópio.

Schweitzer defendia que "tudo o que é vivo tem o direito de viver" e que "nenhum sofrimento pode ser imposto sobre coisas vivas para satisfazer o desejo dos homens". Muitos, contudo, consideravam exagerada esta visão da "coisa viva". Não pelo facto de o filósofo defender intransigentemente a vida, mas por valorar de igual modo formas de vida aparentemente tão díspares como a do Homem e a do insecto, a do cão e a do micróbio.

Em "O Cão do Filósofo", o alemão Raimond Gaita conta-nos como gastou mais de dois mil dólares em despesas veterinárias depois de Gypsy, a cadela da família, ter sido atropelada e do quanto ele e a mulher tiveram de trabalhar ainda mais para poder suportar essas despesas. E questiona-se: "Para pagar despesas médicas das crianças, venderia tudo e trabalharia até à morte se fosse necessário. Mas por um cão?" E continua: "É verdade que, se tivéssemos vendido camisas para cuidar de um peixe-dourado, alguém poderia dizer: "Por um gato ou por um cão, compreenderia. Agora por um peixe?".

Esta semana, na sequência da publicação da Portaria nº 1226/2009 - que proíbe aos proprietários de circos a compra e reprodução de animais selvagens e exóticos -, voltaram a estar no centro do debate público conceitos como bem-estar e saúde animal, direitos dos animais e a relação homem/animal. Mas o que se entende por "bem-estar animal"? Têm os animais direito... a direitos? Que animais? Mas não somos todos, humanos incluídos, animais?

Em termos biológicos, parece não restarem dúvidas de que todos descendemos de um mesmo antepassado. Ou, como refere o biólogo José Feijó, investigador principal do Instituto Gulbenkian de Ciência, "aquilo que nos constitui não é basicamente diferente de uma bactéria, de um fungo ou de um animal". Há 150 anos, Charles Darwin e a sua teoria evolucionista vieram afirmar isso mesmo, colocando em causa o criacionismo religioso, de raiz judaico-cristã, segundo a qual todas as espécies foram criadas por Deus.

O desenvolvimento da ciência, nomeadamente da genética com os seus estudos do ADN, faculta-nos cada vez mais provas desse antepassado comum. Se assim é, por que razão nos consideramos animais à parte, superiores? "No caso dos humanos, houve uma expansão de uma zona específica do cérebro que nos deu um tratamento diferente das emoções e mecanismos abstractos, como a liguagem e a cultura, mas isso não nos coloca numa posição à parte", explica José Feijó.

Vítor Almada, responsável científico da Unidade de Investigação em Eco-Etologia do ISPA (Instituto Superior de Psicologia Aplicada), sublinha que "a nossa espécie é um animal entre muitos". E recorda que há também outras espécies animais, nomeadamente os mamíferos, que "também sonham e que também pensam". "A diferença coloca-se no tipo de pensamento. Enquanto nós, humanos, devido ao termos uma linguagem apoiada em termos abastractos, podemos pensar de forma reflexiva, ou seja, jogar com o mundo interior/exterior e com os pensamentos/memórias, nos outros animais existe apenas o pensamento prático, que o Homem também tem", diz.

Resta-nos ainda perguntar: os animais também sentem? Também têm sentimentos? No século XIX, nas aulas de anatomia, era comum abrirem-se os animais vivos, sem anestesia, por se considerar que estes não passavam de simples máquinas, ou seja, que os animais não tinham capacidade para sentir dor. Mas já o filósofo britânico Jeremy Bentham (século XVIII) defendia que a questão não é "eles [os animais] pensam? ou eles [os animais] falam? A questão é: eles sofrem?"

"Dor, medo, satisfação, são situações pelas quais os animais também passam", garante Vítor Almada. "O problema foi que, até há cerca de meio século atrás, os cientistas receavam estar a projectar nos animais sentimentos humanos". Uma vez mais, também aqui a ciência, através da observação dos sinais exteriores dos animais, nos permite afirmar que estes são igualmente dotados da capacidade de sofrer, de sentir, de criar expectativas. "Quanto maiores são as capacidades cognitivas do animal, maior é a sua capacidade de sofrer", diz Vítor Almada.

Isto não explica, no entanto, por que motivo mantemos relações tão diferentes com um cão ou com uma minhoca, ou com um cavalo ou com um peixe. "Quanto mais variada é a capacidade de expressão de um animal, mais este se encaixa nos nossos padrões", refere professor agregado do ISPA. "Um cão tem um tipo de sociabilidade parecida com a nossa e, por isso, é mais fácil termos uma relação estreita com ele".

Ainda de acordo com este investigador, intituivamente, temos a ideia de que há animais mais importantes do ponto de vista moral do que outros. ""Não é por acaso que já se realizaram diversas manifestações contra as touradas e a caça, mas nunca vi um protesto contra a pesca desportiva, por exemplo. E os peixes também sofrem", afirma.

Esta diferenciação leva-nos, por vezes, a cair no exagero. Como o de tratarmos algumas espécies animais como se de seres humanos se tratassem (há quem compare o especismo, a discriminação baseada na espécie, ao racismo). Hoje em dia, há hotéis de luxo, companhias aéreas, lojas de roupa e peças de joalharia, restaurantes e festas de aniversário exclusivas para cães e gatos.

"Esses são fenómenos assustadores, de total irracionalidade", lamenta Vítor Almada. "O cão ou o gato não têm noção de que fazem anos. O que as pessoas fazem, nestes casos, é projectarem nos animais a falta de amigos, de afecto, a solidão em que vivem. Isso a mim choca-me. Não pode haver uma sociedade justa com a subversão das relações entre homens, quanto mais para os animais".

Do ponto de vista jurídico, o assunto é igualmente problemático complexo. Para sustentar os seus pontos de vista, muitas organizações ligadas à defesa dos animais invocam a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela Unesco, em 1978.

Mas, como explica André Pereira, professor assistente da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, "não se trata de uma convenção, não é um direito vinculativo - como, por exemplo, a Declaração Universal dos Direitos do Homem -, que se possa exercer directamente nos tribunais. Por ter sido elaborada sob a égide da Unesco tem alguma força jurídica, mas não tem força perante a comunidade internacional".

A ciência dos direitos dos animais terá nascido como consequência do surgimento de grupos de defesa desses mesmos direitos, embora seja difícil situar no tempo a origem desse movimento. Anabela Pinto, investigadora na Universidade de Cambridge na área do comportamento e bem-estar animal, aponta como uma das primeiras leis elaboradas para a defesa dos direitos dos animais aquela que foi aprovada no Reino Unido em 1822, relativa ao tratamento do gado doente, depois de vários protestos dos londrinos indignados com a forma como o gado era transportado pela cidade.

Em termos de protecção jurídica do animal, o mundo caminha em diversos sentidos. André Pereira refere que a doutrina tradicional, de raíz romana, como é a portuguesa, faz a distinção entre sujeitos (pessoas) e coisas (animais). O que significa, em termos simplistas, que quem matar um animal indemniza o proprietário deste porque causou um dano no seu património. Ou, em casos de dívidas, um animal considerado valioso, poderá ser penhorado tal como uma casa.

Há países, contudo, onde a protecção jurídica dos animais está mais avançada, como são o caso da Alemanha, Brasil e Suíça, em que os direitos dos animais estão consagrados na própria Constituição. Neste último, por exemplo, os animais não são considerados bens penhoráveis e numa situação de divórcio, são levados ao psicólogo, que decide com qual dos cônjuges o animal deve ficar.

Apesar da popularidade do espectáculo, Rússia começa a despertar para direitos dos animais

(Por Lusa. In RTP.pt, 18 de Outubro de 2009)

Moscovo, 18 Out (Lusa) - O circo continua a ser um popular espectáculo na Rússia e os números com animais praticamente obrigatórios. O país não tem uma lei de defesa dos animais, mas as vozes de protesto contra os maus-tratos são cada vez mais.

Os artistas do Teatro de Feras Durova são, na sua esmagadora maioria, animais, o que faz desta companhia de Moscovo um dos alvos principais das críticas daqueles que exigem a proibição da sua exibição em circos.

Em 2007, uma velha elefante foi abandonada num contentor metálico no Inverno, quando a temperatura do ar rondava os dez graus negativos, e os defensores dos direitos dos animais passaram a denominá-lo como "teatro das selvajarias".

Associação europeia vai lutar contra proibição do uso de animais em Portugal

(Por Lusa. In Rtp.pt, 18 de Outubro de 2009)

Lisboa, 18 Out (Lusa) - Depois de a Comissão Europeia ter esclarecido que o uso de animais em circos é uma questão nacional, a Associação Europeia de Circos reafirma que não vai desistir da batalha contra a proibição decretada por Portugal.

"Não podemos aceitar a posição portuguesa de querer acabar com o circo clássico. Estamos a estudar a forma jurídica de ultrapassar essa questão. Não deve ser possível, num mercado livre, que só os circos estrangeiros [com animais] possam actuar em Portugal", disse à Lusa Arie Oudenes, responsável da Associação Europeia de Circos (ECA, na sigla em inglês).

O departamento jurídico da associação está agora a estudar formas de ultrapassar as regras portuguesas que entraram em vigor na terça-feira. A nova portaria proíbe os circos de comprarem animais selvagens, como leões, tigres ou elefantes.

Cardinali ameaça ir viver para Espanha

Victor Hugo Cardinali garantiu hoje que vai lutar contra a portaria que proíbe a compra e a reprodução de certos animais pelos circos e, caso a medida não seja alterada, ameaça ir viver para Espanha

(Por Lusa/SOL. In “Sol”, 18 de Outubro de 2009)

«Vamos tentar inverter esta situação e explicar a quem de direito que esta medida não tem lógica. Sinto-me revoltado porque esta portaria não existe em nenhum país da Comunidade Europeia», afirmou à agência Lusa o proprietário do Circo Cardinali.

«Quem não se sente não é filho de boa gente. Se dissessem que mais ninguém podia ter animais selvagens, nem nos zoos, nem nos circos, eu compreendia, assim não», declarou.

«Não percebo por que é que eu não posso procriar no circo, mas os zoos e o Zoo Marine fazem espectáculos de circo, no fundo, onde actuam os golfinhos, as focas, as araras e os passarinhos e eles podem procriar», observou.

Aos 53 anos, Victor Hugo Cardinali, domador de leões e com uma vida inteiramente dedicada ao circo, revelou que, se não conseguir «combater» a portaria vai viver para Espanha.

«Aqui ficam aqueles que são muito evoluídos, que defendem que os animais no circo não podem estar, mas que os homens podem casar uns com os outros», ironizou.

Luísa Corrito, natural de Elvas, cidade onde se encontra em exibição o circo de Victor Hugo Cardinali, defendeu também a continuidade dos animais nos espectáculos de circo.

«Eu não concordo com essa medida porque a alma do circo são os animais e um circo sem animais deixa de ter piada», declarou à Lusa enquanto entrava de mão dada com o seu filho para mais uma sessão do Cardinali.

«O meu filho ficou triste quando ouviu a notícia e disse que se os animais acabarem nos circos nunca mais quer assistir», sublinhou.

Também Francisco Duarte, que aguardava pelo início do espectáculo na companhia dos seus filhos, disse à Lusa que «a medida não faz sentido» e que os seus filhos estão «confusos» e «tristes» com a medida aplicada pelo Governo.

A portaria 1226/2009, que entrou em vigor no dia 13 de Outubro, divulga uma lista de espécies consideradas perigosas, pelo seu porte ou por serem venenosas, que só podem ser detidas por parques zoológicos, empresas de produção animal autorizadas e centros de recuperação de espécies apreendidas.

Os circos não fazem parte da lista de excepções, assim como as lojas de animais, que também ficam proibidas de vender cobras de grande porte ou venenosas, algumas aranhas ou lagartos.

Entre as espécies cuja detenção passa a ser proibida pela nova lei - excepto para os zoológicos e as entidades autorizadas - incluem-se todas as espécies de primatas, de ursos, de felinos (excepto o gato), otárias, focas, hipopótamos, pinguins ou crocodilos.

A proibição abrange ainda, na classe das aves, todas as avestruzes, e, na dos répteis, as tartarugas marinhas e as de couro, assim como serpentes, centopeias e escorpiões.

Victor Hugo Cardinali alertou ainda para o «desemprego» que poderá surgir no circo e também para as «dificuldades» que as companhias poderão vir a enfrentar no futuro se os animais deixarem de ser a sua «essência».

O empresário deixou ainda no ar que poderá realizar-se uma manifestação dos profissionais do circo junto da Assembleia da República, caso esta portaria não seja alterada.

sábado, 17 de Outubro de 2009

No "i" : À pergunta “E batem nos animais?”, Cardinali responde: “Se for preciso dá-se um toque. Quem é que nunca deu uma galheta no seu filho? [...]"

Leia abaixo a entrevista a Victor Hugo Cardinali hoje publicada no “i”, da qual se destaca, entre outras afirmações esclarecedoras, a seguinte: à pergunta “E batem nos animais?”, Victor Hugo Cardinali responde, sem hesitações: “Se for preciso dá-se um toque. Quem é que nunca deu uma galheta no seu filho? Eu não sou contra que um cavalo leve uma vergastada, desde que esteja bem alimentado, desparasitado, limpo.”

Já em Dezembro de 2005, numa entrevista ao Rádio Clube Português, confrontado com provas recolhidas e apresentadas publicamente pela ANIMAL de exercício de violência física contra os seus elefantes num dos seus espectáculos de circo, Victor Hugo Cardinali respondeu: “Eu bati no elefante porque ele não queria fazer o exercício, e isso não nego. Nós não podemos deixar que um animal faça aquilo que quer, ou então não há respeito e o domador não está ali a fazer nada".
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"Os meus animais vivem melhor que dois milhões de pobres do país"

Proprietário de um dos circos mais famosos em Portugal em guerra contra a nova lei que anuncia o fim dos espectáculos com animais

(In “Ionline.pt”, 17 de Outubro de 2009)

Elvas torra debaixo do sol de Outono. A tenda do circo vai recortando o céu, vazia por dentro. Um tecto carregado de estrelas desenhadas numa lona nova, camiões, pó. Os cartazes de sempre anunciam palhaços e um leão branco - o leão branco! - espalhados vila a dentro como sinais de pista. É hora de almoço. Ouvem-se tigres e elefantes. Os tigres estão nas jaulas, os elefantes estão soltos, sem vedação. Uma fita traça o limite do recreio dos grandes mamíferos. Tocam-nos com a tromba e engolem maçãs apanhadas numa quinta em Pegões. O circo monta-se no tempo que houver, diz Victor Hugo Cardinali. Desta vez não há pressa. Vêm de Portalegre. Os dois meses de Verão não tiveram mais calor que os últimos dias. O tempo vai sendo palmilhado na direcção do Natal, um dos principais lugares do espectáculo no calendário - e no coração. Aos 53 anos, Cardinali manda. O circo é dele. A história é dele. "Samba nein". Os elefantes só percebem as ordens em alemão. "Come on Sonho, good boy". Sonho, o felino de 250 quilos, segue o inglês e rebola-se das mãos do dono. Distrai-se e até dá para fazer festas. Com medo, claro. Não há música de circo, não há roupas garridas, apenas um homem a brincar com um leão no interior de uma jaula.

O fim dos animais selvagens no circo pode acabar com o espectáculo?

Portugal é um país que gosta de circo por natureza. Temos muito público em qualquer cidade. Mas sim, conquistamos pelos as pessoas com os animais - em Portugal, só eu é que tenho elefantes, tigres brancos, leões, camelos. Sem animais há menos interesse. No Natal tenho um circo em Algés e outro no Parque das Nações, o primeiro não tem animais. Para o outro já tenho sessões esgotadas com dois meses de antecedência.

Há quanto tempo trabalha com animais?

O negócio veio do meu pai, mas não tinha leões nem elefantes. Agora não posso precisar, mas começámos há cerca de 70 anos. Não tinham leões e elefantes porque era muito difícil trazê-los para Portugal. Nós só conseguimos comprar os elefantes quando deram a independência à Namíbia. Conheci um alemão que tinha uma reserva e conseguiu trazer 14 elefantes, nós ficámos com oito.

Quanto custaram?

Na altura, em 1988, cada um custou 1250 contos (6250 euros).

Que crítica faz a esta nova portaria?

Vivemos num país de touradas. Acho que estamos a ser discriminados porque somos o elo mais fraco. Depois, também há muita portaria que sai e não é aplicada. Vai-se a Jardim Zoológico de Lisboa ou ao Zoo Marine e vêem-se lá golfinhos, focas. Qual é a diferença entre eu ter um elefante e o Zoo Marine ter um golfinho ou uma foca? Estão todos em cativeiro... os golfinhos também deviam andar no mar. Os passarinhos também deviam andar soltos e estão em gaiolas. Já perguntei a um biólogo do Instituto de Conservação da Natureza e disseram-me que era a mesma coisa.

É um preconceito?

É um preconceito, mas não acho que seja só contra o circo. As associações de defesa dos direitos dos animais são contra as touradas, contra os animais domésticos. Os animais têm de ser tratados como animais: com dignidade, bem tratados, mas como animais. Deviam preocupar-se com os 25 mil idosos que este país tem em lares, com as 10 mil crianças em instituições sem que ninguém as adopte e com dois milhões de pobres no nosso pais. Os animais que eu tenho vivem melhor do que os dois milhões de pobres deste país. Têm comida a horas, são lavados e desinfectados.

Quanto custa mantê-los?

Por mês gasto 50 mil euros com alimentação. Os frangos vêm sempre de um aviário no Cadaval, que vai levar a carne onde estamos. Desde que proibiram a carne de vaca rejeitada, os animais comem a mesma que nós. Um leão come cinco frangos por dia. O feno vem de Braga - vão ao Algarve, a Trás-os-Montes, a Lisboa. Vou buscar sempre a ração à Malveira, para os animais não terem cólicas. Chego a fazer 500 quilómetros para ir buscar serradura de pinho. Tenho um camião só para o feno, um camião só para a ração, um camião frigorifico.

Mas essa não é a realidade de todos os circos...

Claro, mas não foi por isso que escreveram a nova lei. Nesse caso acabavam com os circos que não tinham condições para ter animais.

Quando custa agora um leão?

O branco custou 50 mil euros...tenho quatro e é suposto viver 20 anos ou 25 anos.

Têm veterinários?

Connosco não. Temos um veterinário no Norte e outro no Algarve, depois também recorremos aos veterinário das câmaras. Há 10 anos morreu-me um elefante em Aveiro. Corri os veterinários todos a ver se alguém podia ajudar - ninguém sabia o que fazer. Não têm formação para tratar dos animais selvagens.

Há inspecções regulares aos circos?

Quando o circo chega, requere-se uma vistoria. Vem uma equipa da câmara que vê o material, os extintores. Vem também o veterinário camarário para ver o que é que os animais comem, o que bebem, qual é o estado das boxes.

É igual em todas as cidades?

É. Há uma ou outra onde não aparece ninguém.

Porquê?

Sei lá, não vêm porque não lhes apetece. Têm outras obras em mãos, já sabem qual é o "ram ram" do circo.

Há falta de autoridade na fiscalização?

Há. Mas o circo vai sobreviver a esta situação. A partir de agora temo de nos unir.

A Animal fala de lobby dos circos. Como reage?

A Animal está bem inserida. Porque é chamam a Animal e não outras associações? Podiam ter-nos chamado. Nós sabemos o que acontece no mundo e nenhum país da Europa Ocidental foi com isto para a frente. Houve a Áustria, mas a Comissão Europeia deu-nos razão.

Ao reagir em bloco não se está a criar uma imagem única?

Nunca quis funcionar em bloco, não sou hipócrita. Estou no circo, tenho animais e sei que tenho de ter condições. Perante uma lei, tenho de juntar-me a outros para combatê-la. Esta semana falámos dois ou três. Antigamente víamos circos por aí, caravanas pequenas. Se uma pessoa não ganha dinheiro não pode ter condições e isso tem a ver com o sucesso individual. Eu nunca pactuei com os que não cumprem e sempre disse que não somos todos farinha do mesmo saco.

Tem amigos no circo?

Tenho os meus filhos. Não me dou com as pessoas do circo, tive mais sucesso e eles não gostam de mim. Como tenho mais dinheiro do que eles, pensam que vivo de droga e notas falsas. Há uma rivalidade que tem a ver com inveja. Mas em termos de qualidade, não sou eu que tenho de falar disso. Se a opção de um circo é não ter qualidade, é preciso fiscalização. Não há ninguém que diga "veja lá que isto está tudo enferrujado."

Mas as acusações de violação dos direitos do animais também lsão dirigidas ao Circo Victor Hugo Cardinali...

Lembro-me de uma cena com o circo da Soledad Cardinali. Estava alguém com os cavalos e viram uma chicotada. Também disseram coisas de nós. Eu também levei quando era puto, mas nem é esse o caso. São radicais, para não dizer pior. Houve uma seca aqui há uns anos em que estavam vacas e ovelhas a morrer no Alentejo e não se viu lá nenhum homem dos direitos dos animais. Noutro dia, o Circo Chen deixou fugir dois trigres, foi um acidente, mas na mesma hora apareceram as televisões e os activistas. Depois, nunca nenhum desses senhores pediu para visitar a minha casa e conhecer as minhas instalações. Eles defendem o quê para viverem de peditórios? O principal argumento é que o circo é um negócio e que os animais selvagens não devem ser usados. Mas estes animais nasceram em cativeiro.

O que acha destas associações?

Esses movimentos dos animais já andam há anos lá fora. Isso da Animal vem tudo dos ingleses - uma vez foram a uma quinta que criava porquinhos da índia e fizeram 40 atentados contra aquela família, o último foi ir profanar uma campa da sogra da família. Levaram o corpo. Não é normal...

É uma questão de liberdade?

É suposto os animais estarem na selva? Também é suposto um homem casar com uma mulher, há séculos e séculos. E não estamos a mudar isso? Eu não tenho nada contra, porque é que hão-de ter contra mim?

O argumento de que o circo deve mudar porque a sociedade também mudou diz-lhe alguma coisa?

Falam-me de evolução, mas a única evolução que eu vejo é os homens poderem casar uns com os outros. Os pobres no Alentejo continuam os mesmos, os ricos estão cada vez mais ricos. Agora temos de desistir dos nossos animais quando não faz qualquer sentido pensar em mudança - em Portugal há corridas de touros, montam-se os cavalos, há jardins zoológicos. No circo não há sangue. Eu não sou contra a tourada, espeta-se uma farpa no animal mas depois há uma série de outras coisas a favor - a plástica, a arte, a valentia, o gosto das pessoas que vão ver, a música, a arte de quem toureia. Há quem não goste. Mas há quem goste. Também há quem não coma carne e peixe. São a minoria. Os homens casarem uns com os outros, para mim é a maior evolução.

É uma incoerência?

É uma incoerência das grandes. É uma hipocrisia. Isto é uma selva. Eu entendo que há gente que não gosta de circo, eu não gosto de ópera. Aborrece-me.

Uma das queixas é que os animais passam os dias enfiados na jaula sem actuar...

É mentira e sei que sou suspeito a dizer que é mentira. Mas os homens dos direitos dos animais nunca vieram a minha casa pedir-me para ver as condições.

Como é o dia de um leão?

Está na jaula, é a casa dele. De manhã é limpa a jaula, dá-se água e de comer. E depois ou estão na serradura [no exterior] ou na cama. Têm uma jaula montada na rua onde estão durante o dia.

Como é que são treinados?

Nós não conseguimos ensinar ninguém com maus tratos. Para ensinar um trigre ou um cavalo tem de ser a bem. Um cavalo é com açúcar, maçãs, cenouras. Um leão é com carne - temos uma cana e metemos carne na ponta. Se quero que ele venha para cima da cadeira, mostro-lhe a carne. Sobe uma vez, dou-lhe muita carne e depois vou-me embora. Nos tamboretes a mesma coisa, quero que ele salte o arco vou afastando gradualmente. Espero que ele se habitue ao objecto estranho.

E batem nos animais?

Se for preciso dá-se um toque. Quem é que nunca deu uma galheta no seu filho? Eu não sou contra que um cavalo leve uma vergastada, desde que esteja bem alimentado, desparasitado, limpo.

Quem é que mexe nos animais?

Sou só eu e o meu filho. Temos outras pessoas que tratam da limpeza, mas nós é que lidamos com eles.

Mas passa essa cultura para as pessoas que trabalham consigo?

Um animal castigado é sempre revoltado, perigoso. Os animais são como as pessoas. Isto também é uma questão de gosto por aquilo que fazemos. Ninguém vira as costas ao leão, é sempre um animal feroz.

Há perigo para o público?

Eu não deixo o público chegar perto dos animais. Antigamente espicaçavam-nos - os miúdos queriam ver o leão ou o tigre a dormir e mandavam pedras para eles se levantarem e isso era perigoso.

De onde vem a imagem de maus-tratos no circo?

É tão antigo... Não nasceu em Portugal. Nasceu pela Europa fora; cada cabeça sua sentença. Eu não sou racista, há pessoas que têm pavor aos ciganos, a mim não me faz confusão desde que não se metam comigo.

Vive-se um bom ambiente?

Há sempre a concorrência... Porque é que o Futebol Clube do Porto tem sempre problemas com toda a gente? Porque é o que ganha mais vezes - porque ganham, dizem que compram os árbitros. Ser o melhor é difícil.

O futuro dos circos não pode ser um formato do género Circo du Soleil?

Portugal não é país para o Circo do Soleil.

Porquê?

A cultura do povo português não passa por aí. Em Lisboa, percebe-se o Circo do Soleil. Mas o país real quer o circo tradicional. Sem animais ninguém vai ao circo. O que leva as pessoas ao circo é o tigre branco, o leão branco. Um cavalo qualquer pessoa pode ter.

Que espectáculo recorda mais?

Foi o circo russo do gelo - havia duas pistas e vários ursos patinavam e jogavam hóquei no gelo. Na Rússia os ursos são tratados como cães. Agora, se eu quiser contratar estes espectáculos, posso? Porque é que um artista francês ou alemão não poderá vir a Portugal?

Em poucos meses saíram três portarias que afectam o trabalho nos circos. A lei está a ser precipitada?

Há uma coisa que não percebo. No princípio de Maio entrei pela primeira vez no Parlamento. Fez-se uma petição para acabar com os animais do circo. Estive lá e vi que o governo PS e PSD votaram a favor dos circos, portanto a maioria. Bloco de Esquerda, PCP e Verdes votaram contra. Passados quatro ou cinco meses aparece esta portaria...

Vai procurar respostas?

A Associação Europeia de Circos vai apoiar-nos e já estamos em conversações para recorrer. Na Europa há o exemplo da Áustria, em que se considerou que os circos tinham razão. Então agora deixo de poder trazer um espectáculo de um artista espanhol, francês ou italiano a Portugal? Depois, em vez de andar a falar com os santinhos vou falar com o deus... o primeiro-ministro. Ou então com o outro deus, Cavaco Silva.

Já tem data marcada?

Vou pedir uma audiência a José Sócrates nos próximos dias. Sócrates ainda não tomou posse, tem muito mais que fazer, eu entendo. Agora a lei também já saiu, temos tempo.

Acha que há algum desleixo político?

Eu nunca vivi numa situação destas e agora vamos associar-nos e ver o que conseguimos fazer. Se não conseguir nada vou para Espanha.

Mas os circos estão condenados?

Muitos circos pequenos sim, mas eu não tenho nada a ver com isso.

E o circo enquanto arte?

Nesse sentido acho que sim, porque o que traz as pessoas ao circo são animais.

Há o argumento de que podia haver mudanças, como quando se deixou de usar mulheres barbudas e anões...

Este ano vou trazer outra vez anões. Nos nos circos lidamos com os anões como um ser humano qualquer. E os cegos que andam todos a pedir em Lisboa, porque são cegos? Não é descriminação? Os ceguinhos deste país deviam ser acolhidos por quem de direito. É uma hipocrisia, uma fantuchada. Se o circo não pode ter animais, então não se pode montar mais a cavalo nem usar esporas ou ferros. O animal também sente. Mas depois sabe-se quem é que entra para defender os cavalos... andam os políticos, os empresários. É uma questão de descriminação, o circo é visto como algo inferior. Nós nunca incomodámos o governo, quer por subsídios ou outras coisas. Aqui há uns anos o zoo de Lisboa teve de modificar as instalações e não tinham dinheiro, o que é que fizeram? Levaram os animais para a porta da Assembleia da República.

É uma ideia?

Vou até ao fim do mundo e não tenho medo. Se for preciso monto lá a jaula dos leões à porta da Assembleia.

E entretanto, como se resolve o problema da procriação dos animais?

Vou pensar ainda... posso ir para Espanha viver. Em Espanha não é proibido.

Mas esterilizar é uma opção?

Está fora de questão. E castrar já agora?

Não sei se sabem mas um leão macho quando é adulto e é castrado perde a juba. Se for adolescente não tem a juba.

Se não der em nada, vou-me mesmo em embora.

Lá fora é melhor?

Cá somos uns coitadinhos, e toda a vida lutei contra isso. Há pessoas que estão sensibilizadas. O circo é antigo e muitas artes nasceram dele, como aliás me disse um antigo ministro Roberto Carneiro - como o ballet, o teatro. Depois é quem diz mal do país que é recebido em festas de gala por ministros da cultura.

Mas no estrangeiro têm subsídios?

Em Itália, num circo de primeira categoria, recebe-se 100 mil contos por ano. Passado quatro anos recebe-se outro subsídio para a renovação do material - para as tendas, para os carros eléctricos, para tudo. Em Espanha também há subsídios. Tirando Portugal, França, Espanha e Itália, todos têm subsídios.

Todos os circos têm direito a apoio?

Sim, mas depois a quantidade depende da dimensão do circo.

Era mesmo capaz de deixar o país?

Quando nasci os meus pais tinham o circo montado em Leça da Palmeira. Mas a minha terra é Portugal e sou, se calhar, um dos maiores nacionalistas. Os meus ídolos são Dom Afonso Henriques, Nuno Alvares Pereira e Viriato. Sou português a 100%. Sei quantos portugueses e quantos espanhóis estavam na batalha de Aljubarrota.

Deixava muitos amigos em Portugal?

Não tenciono sair. Saio para trabalhar. Tenho uma quinta em Pegões para onde tinha planos. No futuro, se quiser vir, deixo os animais em Espanha. Tenho amigos em todo o lado. Conheço jornalistas, jogadores, treinadores, gente do teatro e do cinema, presidentes, advogados, engraxadores de sapatos, ladrões, prostitutas. Passei a vida a andar de terra em terra e a conhecer a vida como ela é feita. Não andei na universidade, não tive vagar. Os meus estudos são a quarta classe, mas tenho a escola da vida.

E a família Cardinali?

A família é quem eu quero que seja. Agora sou eu e o meu filho. No ano passado morreu-nos um cavalo árabe que era o que ia à frente no número. O meu filho chorou tanto que parecia que lhe tinham morrido o pai e a mãe. Passado uma semana morreu uma tia e ele não chorou.

Também é uma forma diferente de encarar as coisas?

É uma forma de estar na vida. Eu tenho a cultura do circo mas também tenho outras culturas.

Sente-se um empresário?

Antes de ser um homem de negócios sou um homem do circo. O meu circo é uma empresa de sucesso, tenho mais sucesso do que a RTP. Não recebi subsídios, não peço nada a ninguém. Quando tenho necessidades vou ao banco.

Quanto é que vale o Circo Victor Hugo Cardinali?

Não faço essas contas. As minhas contas é tipo mercearia, tenho a minha sebenta e vou somando. Só de selos para os camiões são 20 mil contos (100 mil euros) por ano. Tirando IRC, IRC.

Mas investiu muito?

Gastei fortunas em camiões, transportes, elefantes. Já investi tudo no meu circo. Tenho duas bancadas novas, cadeiras do melhor que há no mundo. Tenho tendas novas, animais novos que ninguém tem e ninguém quer. Eu fui à Madeira com o PSD e vi pessoas que nunca tinham visto um elefante na vida. Mostrei-lhes um leão branco. Muitos portugueses conheceram animais com o circo. É cultura.

Os seus funcionários ainda tiram 400 euros por dia, como há uns anos?

Tem de ser um grande artista e só nos espectáculos de Natal. É como em todas as profissões: os bons são os que vencem. Eu quando era puto disse "quando for grande quero ser bom". Consegui, sem subsídios e sem pedir nada ao estado. A trabalhar. Há os que falam muito mas nunca lamberam uma lágrima.

Sentem a crise?

O circo vai andando conforme o país. Mas não há descontrolo. O único sítio onde há descontrolo é na justiça portuguesa por não condenar as coisas que são provadas. No circo não há descontrolo. Os juízes é que não conseguem condenar os criminosos.

Este cerco da lei é o primeiro golpe?

É o primeiro e um grande golpe. Tenho 53 anos e vou morrer primeiro que os elefantes, se tudo correr bem. Mas também pode agora aparecer uma doença, morre um leão ou dois e fico com um número partido. Se o número acabar, os leões ficam ali parados. O que é que se faz? Depois disto só a morte. Mas eu da morte nunca tive medo - dia sim, dia não arrisco a vida.

Acha que vão vencer a lei?

Vou fazer tudo por isso.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Veja o vídeo do debate sobre os circos com animais e a nova legislação decorrido esta manhã, no programa “Companhia das Manhãs”, da SIC

Subsidiariedade: Bruxelas deixa decisões sobre animais em circo aos Estados-membros

(Por Lusa. In “Público”, 15 de Outubro de 2009)

Os animais na União Europeia (UE) estão sujeitos ao princípio da subsidiariedade e Bruxelas só age quando a sua acção é mais eficaz do que uma acção realizada a nível nacional, regional ou local, explicou hoje uma fonte comunitária.

Neste sentido, tirando questões que são da sua competência exclusiva como o comércio de flora e fauna selvagens ou transporte de animais, são os Estados-membros que legislam como entendem.

"Quaisquer outras medidas sobre a importação ou restrições à posse de animais não-domésticos ou questões sobre problemas resultantes da manutenção de animais exóticos em locais para além dos jardins zoológicos não são da competência da Comissão", garante Bruxelas.

Desde segunda-feira passada, os circos em Portugal estão impedidos de comprar novos macacos, elefantes, leões, tigres ou hipopótamos, mas podem manter os animais que já detinham antes da entrada em vigor da portaria 1226/2009, desde que estes não se reproduzam.

Em relação aos animais de circo, Bruxelas estipula, desde 2007, que estes viajem entre Estados-membros da União Europeia tendo um passaporte próprio, com informação relativa a testes oficiais e vacinas.

Quem transporte animais em viagens superiores a oito horas deverá ter um diário de viagem de cada animal, além de um GPS no veículo, explicou a mesma fonte.

No entanto, debate sobre os direitos dos animais - de circo e das touradas - é recorrente em Bruxelas, com argumentos pró e contra.

Um exemplo recente é o da proibição imposta pela Áustria à presença de animais nos espectáculos de circo.

Uma medida tomada no exercício do princípio da subsidiariedade, mas que originou uma queixa por parte da Associação Europeia de Circo, que considera que a proibição viola a livre circulação de serviços na União Europeia.

Bruxelas não deu, em 2005, provimento à queixa com base no princípio da subsidiariedade, considerando que a protecção dos animais selvagens é da competência dos Estados-membros.

O caso chegou em Junho último ao Provedor de Justiça Europeu, que pediu ao executivo comunitário que reexamine se a decisão de Viena é proporcionada.

Em Portugal, circos e lojas de animais e até proprietários privados têm de registar no Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) os animais que a portaria publicada segunda-feira enumera, entre os quais algumas aranhas, lagartos, aves e espécies potencialmente perigosas (de grande porte ou venenosas) como as cobras, os felinos ou os elefantes.

No entanto, os circos em Portugal vão continuar a ter elefantes, leões e tigres nos próximos 10 ou 20 anos, segundo contas do ICNB baseadas na idade dos animais que vivem actualmente naqueles recintos.

Circos: activistas pressionam Bruxelas

Carta dirigida à Comissão Europeia e ao Ministério do Ambiente pede firmeza na decisão

(Por Marta F. Reis. In “Ionline.pt”, 15 de Outubro de 2009)

As caixas de email do comissário Europeu do Mercado Interno e Serviços do Ministério do Ambiente começaram ontem a receber uma carta colectiva de defensores dos direitos dos animais. Está criada uma nova frente de batalha na guerra aberta pela portaria que esta semana proibiu a detenção e a procriação de animais selvagens pelos circos. Depois de a Associação Europeia de Circos ter anunciado um processo contra o estado português, a Animal preparou um documento para pressionar Bruxelas. Rita Silva, presidente da associação, disse ao i que os "milhares de respostas que costumam ter as iniciativas da Animal vão garantir uma maior atenção da Comissão Europeia".

Para a responsável, a proibição é uma medida "positiva, mas tardia e tímida. Não deixa de nos espantar, por exemplo, como um país pequeno e com a história da Bósnia e Herzegovina proíbe já quaisquer espectáculos com animais selvagens", diz. Para a Associação Europeia de Circos, a jurisprudência está do lado dos espectáculos depois de o provedor europeu da Justiça ter considerado que a CE violou o seu papel de "guardiã do Tratado Europeu" ao deixar cair um processo contra a Áustria.

A responsável Laura van der Meer adiantou ao i que Portugal não comunicou devidamente a decisão a Bruxelas. Contactada pelo i, a Comissão Europeia não confirmou a informação até ao fecho desta edição. O tema está a ser tratado pelos comissários do Ambiente e Mercado Interno.

Satisfação por poderem vender mais espécies animais

Empresários dizem que lei é mais permissiva. Podem comercializar espécies de serpentes, como pitões. E acabar com negócio ilegal de espécies exóticas

(Por Céu Neves. In “Diário de Notícias”, 15 de Outubro de 2009)

Nem todos estão contra a portaria sobre a proibição de espécies perigosas. E não nos referimos às associações de defesa dos animais. Estamos a falar dos comerciantes de espécies exóticas, que, com as novas regras, podem vender espécimes até agora proibidas, como é o caso das pitões. A lei obriga ao registo dos animais, sublinhando a ilegalidade do "negócio vão-de-escada". Falta saber como será feito o registo, informação que as autoridades prometem para hoje.

"A nova lei vai afectar o mercado das espécies exóticas na medida em que é mais permissiva em relação a algumas espécimes, nomeadamente cobras. Anteriormente não era permitida a venda de boídeos e de pitões e vamos passar a vender algumas espécies dessas famílias", explica José Santos, dono da Zoo Exótica, uma loja de animais em Benfica, Lisboa.

A portaria é também vista com bons olhos pelo gerente da Petos Land, em Vialonga, sobretudo por ter aberto "o mercado das pitões e das serpentes de grande dimensão".

É que, na óptica do legislador, explica Sandra Moutinho, do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), não fazia sentido proibir todo o tipo de cobras por causa do seu tamanho. "Esta legislação actualiza os parâmetros de bem-estar e saúde dos animais e as questões de segurança e perigosidade inerentes a algumas espécies. Estão proibidas as serpentes venenosas e que fazem constrição (estrangulamento).

Outra das alterações é a obrigatoriedade de registo das espécies autorizadas. "A portaria vem responsabilizar as pessoas, comerciantes e donos", sublinha José Santos, que espera que a medida acabe com o negócio ilegal de venda de animais exóticos. Isto num nicho de mercado pequeno e que tem vindo a diminuir por razões económicas, refere uma técnica da União das Associações e Serviços.

Bruno Galrido, o gestor da Petos Land, diz que compraram este ano uma quinta em Torres Novas, "a única autorizada em Portugal para a importação, exportação e quarentena de animais exóticos", o que faz com que estejam bem posicionados para a aplicação das novas regras. O Jardim Zoológico e o Badoca Park são seus clientes.

Falta saber como é que será feito o registo de animais, obrigatório até 11 de Janeiro de 2010. Como é que se registam as tartarugas ou as aranhas, uma a uma? "É que não se distingue", justifica José Santos. Sandra Moutinho diz que a informação estará a partir de hoje no sítio do ICNB.

Nesta 5.ª feira - 15 de Outubro, entre as 20h e as 22h30m, em frente ao Campo Pequeno

PARTICIPE no Último Protesto da Época de Tortura de 2009

“Enquanto continuarem a derramar o sangue de criaturas inocentes, não poderá haver paz, nem liberdade, nem harmonia entre as pessoas. A mortandade e a justiça não podem andar de mão dada.”
Isaac Bashevis Singer

Venha e fique o tempo que puder – mas venha, esteja presente e proteste. Ninguém virá por si.

Por favor, traga apitos, buzinas e tachos para o protesto.
Mas, fundamentalmente, aquilo de que mais precisamos é da sua presença.

PARTICIPE e DIVULGUE – Traga consigo também outras/os amigas/os dos animais!

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Por favor, escreva ao Presidente da Comissão Europeia e ao Comissário Europeu do Mercado Interno apoiando o fim dos animais nos circos

Por favor, escreva ao Presidente da Comissão Europeia e ao Comissário Europeu do Mercado Interno apoiando as decisões legislativas do Governo Português contra o uso de animais selvagens em circos, dando conhecimento ao Governo Português do seu apoio a esta medida, e pedindo à UE que estabeleça uma proibição comunitária da manutenção e uso de animais selvagens e domésticos em circos

As companhias de circo portuguesas que usam animais e a Associação Europeia de Circos – o lobby europeu dos circos com animais – anunciaram hoje que iriam avançar com uma acção judicial contra o Estado Português pelo facto do Governo ter decidido implementar legislação contra o uso de animais selvagens em circos (veja notícia em http://www.ionline.pt/conteudo/27801-associacao-europeia-circos-processa-estado-portugues).

A Associação Europeia de Circos alega que a proibição implementada pelo Governo Português, assim como a proibição do uso de animais selvagens em circos implementada, em 2005, pelo Estado Austríaco, violam o artigo 49 do Tratado Europeu, no sentido em que, supostamente, estas normas violariam as regras do mercado livre e comum. No entanto, solidarizando-se com o Estado Português e com o Estado Austríaco, a ANIMAL entende, tal como defenderam as autoridades Austríacas quando enfrentaram uma queixa por parte do lobby dos circos a propósito da proibição que implementaram, que não só essa norma não é violada, na medida em que qualquer circo pode continuar a actuar na Áustria ou em Portugal, desde que, no caso da Áustria, não use animais selvagens, e desde que, no caso de Portugal, não adquira, designadamente através da reprodução, novos animais selvagens, como também importa salientar que a actividade circense está, felizmente, longe de se resumir aos números com animais, havendo inúmeras, prestigiadas e muito bem sucedidas companhias de circo na Europa e em todo o mundo que têm apenas actuações de artistas humanos e que, nesse sentido, apesar destas proibições e de outras, mais fortes e mais abrangentes, que se espera que venham a ser tomadas, no sentido da abolição total do uso de animais em circos, poderão continuar a actuar livremente em qualquer estado-membro da UE, sendo livres de prestar esse mesmo serviço cultural e artístico, desde que não explorem e abusem de nenhum animal ao fazê-lo. Por outro lado, importa lembrar que a UE e os seus estados-membros têm, de acordo com o disposto no Protocolo Anexo ao Tratado de Amesterdão relativo à protecção e ao bem-estar animal, a obrigação jurídica de proteger o bem-estar dos animais, que é exactamente aquilo que a Áustria fez e aquilo que, ainda que timidamente, Portugal está agora a fazer, ao tomar estas decisões. É esta a mensagem que, desde já, a ANIMAL está a pedir a todas as pessoas que se preocupam com os animais em Portugal que dirijam – com conhecimento ao Governo Português, que nela é saudado – ao Presidente da Comissão Europeia e ao Comissário Europeu do Mercado Interno. A ANIMAL está também a pedir a todas as organizações europeias de protecção dos animais que sigam este curso de acção.

A Bolívia proibiu a manutenção e o uso de animais de species domésticas e selvagens em circos. Vários municípios do Brasil, assim como os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, deram o mesmo passo. A Costa Rica, a Áustria, a Croácia, Israel e Singapura proibiram completamente o uso de animais selvagens em circos, enquanto a República Checa, a Dinamarca, a Finlândia, a Suécia e a Índia introduziram também restrições legislativas ao uso de animais selvagens em circos. Portugal juntou-se, agora, a esta já importante lista de países que tomaram decisões legislativas neste sentido e a ANIMAL defende que é tempo da União Europeia ir mais longe, olhar para estes exemplos e proibir, a nível comunitário, a manutenção e o uso de animais domésticos e selvagens em circos.

Por favor, envie a mensagem abaixo sugerida – ou escreva a sua própria mensagem, se preferir – ao Presidente da Comissão Europeia e ao Comissário Europeu do Mercado Interno, pedindo-lhes que não só apoiem a medida tomada pelo Governo Português e a reconheçam como um exemplo a seguir, mas também que, neste sentido, em articulação com o Conselho Europeu e com o Parlamento Europeu, tomem medidas no sentido de levar a UE a proibir, de forma total, a manutenção e o uso de animais selvagens e domésticos em circos, em todo o espaço comunitário. Envie a sua mensagem para: Charlie.Mc-Creevy@ec.europa.eu; Com Conhecimento (Cc) a: pm@pm.gov.pt; gmaotdr@maotdr.gov.pt; icnb@icnb.pt; campanhas@animal.org.pt. Por favor, envie a mensagem para o Presidente da Comissão Europeia através do formulário disponível em http://ec.europa.eu/commission_barroso/president/contact/mail/index_en.htm.

Mensagem Sugerida

Dear Mr. President of the European Commission José Manuel Barroso
Dear Commissioner McCreevy, European Commissioner for the Internal Market and Services

CC to:

The Prime-Minister of Portugal, Mr. José Sócrates
The Minister of Environment of Portugal, Mr. Francisco Nunes Correia
The President of the ICNB Portugal CITES Authority, Mr. Tito Rosa

Excellencies,

I am writing this message to express my fullest support to the Portuguese Government new enacted laws which immediately ban the keeping and use of great apes in circuses and which immediately ban the breeding and acquisition of new wild animals by circus companies operating in Portugal, allowing them only to keep the wild animals that they already lawfully held at the time of the coming into force of such laws. In fact, to be more accurate, I deeply regret that the Portuguese Government did not go further, banning the keeping and use of the very wild animals that circuses in Portugal already hold, as well as the keeping and use of domesticated animals, which also suffer tremendously in circuses and should not be kept or used in such deplorable spectacles. However, I look at these legislative measures of the Portuguese Government as very positive and praiseworthy signs of concern for the plight of animals used in circuses, particularly of wild animals, and so I wish to express my gratitude for the taking of such legislative steps.

I have in the meanwhile learned that, as they have done when Austria courageously banned the keeping and use of wild animals in circuses, the European Circus Association (ECA), which represents the circus lobby in the EU, has threatened to take legal action against the Portuguese State for outlawing the keeping and use of wild animals in circuses in the terms above mentioned. The ECA argues, once again, as it has done with the Austrian case, that such a ban infringes the article 49 of the European Treaty, supposedly violating the rules of the free common market. However, I believe it does not, as no circus is banned from performing in Austria or in Portugal – they are only banned from using great apes and from breeding or acquiring by other means new wild animals, in Portugal, and from using wild animals in Austria, but circuses are free – and, furthermore, encouraged – to perform with human artists – who, unlike animals, perform willingly – wherever they want in the EU. No animal protection organisation, and certainly not the Portuguese Government or the Austrian State, oppose or seek to outlaw the circus activity as a whole – the point is only to end something that is objectively and necessarily cruel, wrong and a sad and degrading anachronism: the bizarre, absurd and totally unethical use of animals in circuses, where they should no longer be and where they should never have been kept in the first place.

I therefore urge the European Commission to stand by the legislative steps that both the Portuguese and Austrian states have taken against the keeping and use of wild animals in circuses and I furthermore urge the European Commission to, together with the European Council and with the European Parliament, take a joint legislative action to completely outlaw the keeping and use of both wild and domesticated animals in circuses, while respecting and protecting solely all the respectable and admirable circus arts which involve human artists alone.

I also wish to reiterate my support to the Portuguese and to the Austrian states for taking such steps to protect wild animals and I can only urge them to extend these measures to domesticated animals as well. Bolivia has banned the keeping and use of both wild and domesticated animals, several states and municipalities in Brazil have done the same, while Costa Rica, Croatia, Israel and Singapore have complete bans on the use of wild animals in circuses. Czech Republic, Denmark, Finland, India and Sweden have banned the use of certain wild animal species in circuses, while Belgium, Estonia, Hungary and Poland have also enforced some restrictions of the use of wild animals in circuses. It is now time for the European Union to take the lead in this matter by completely outlawing the keeping and use of domesticated and wild animals in circuses. As an European citizen, I wish no less than that in this field.

Looking forward for your reply and thanking you in anticipation for your attention,
Yours, respectfully,

[Indique O SEU NOME aqui]
[Indique O SEU PAÍS aqui]
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Associação Europeia de Circos processa Estado português

Depois de o governo ter proibido a compra de animais exóticos, surge a resposta dos circos. E até há um caso na Europa que dá razão a quem defende estes espectáculos

(Por Alexandre Soares e Marta F. Reis. In “Ionline.pt”, 14 de Outubro de 2009)

Ao terceiro dia de Setembro, a proibição contra os grandes símios. Duas semanas depois, novas regras para policiar a saúde e a circulação dos animais. Ontem entrou em vigor mais uma portaria: os circos passam a estar proibidos de possuir elefantes, tigres e outros animais exóticos. Das três vezes, os circos queixaram-se dos excessos da lei. Ontem reagiram: a Associação Europeia de Circos está a preparar um processo contra o Estado português, o único na Europa que proíbe a compra de novos animais e condena até a sua reprodução em cativeiro.

Ao i, Laura van der Meer - directora da Federação Mundial de Circo e responsável da Associação Europeia de Circos - garante que já estão a correr os "contactos relativos a um processo judicial contra o governo", que será conduzido primeiro "pelas partes directamente interessadas em Portugal".

O processo judicial tem antecedentes: Em 2005, a Áustria criou uma proibição semelhante e foi condenada pela Comissão Europeia, lembra Van Der Meer. Contudo, o processo acabaria por cair devido a pressões das associações ligadas aos direitos dos animais, para só ser reavaliado quatro anos depois. Em Junho de 2009, o provedor de justiça europeu concluiu a investigação sobre o caso e determinou que a Comissão tinha "abdicado do seu papel enquanto guardiã do Tratado". E, na sequência deste parecer, recomendou que reactivasse o processo ou apontasse uma razão legal para não o fazer. Laura van der Meer lembra ainda que, em 2005, o Parlamento Europeu reconheceu o circo como "bem cultural" e que "recentemente o novo presidente do Conselho da União Europeia para a Educação, Juventude e Cultura se comprometeu a trabalhar com a Federação para aumentar o reconhecimento e o apoio aos circos, incluindo a apresentação de animais".

O que diz a nova lei A portaria publicada segunda-feira impede a exibição de dezenas de animais no circo e proíbe a sua reprodução. Os argumentos utilizados são três: "conservação das espécies", "bem-estar e saúde desses exemplares" e garantir a "segurança" e o "bem-estar" dos cidadãos. No entanto, para Victor Hugo Cardinalli, do Circo Cardinalli, "falar de saúde pública não faz sentido. Todos os animais são vacinados, tratados e bem cuidados".

A portaria começou a ser preparada em Junho, quando o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) foi contactado pelo Ministério do Ambiente para esclarecer "questões técnicas" sobre animais selvagens. Umas semanas mais tarde, o ICNB decidiu contactar algumas entidades da área. Uma delas, a Associação Animal, há pelo menos 15 anos que trabalha na protecção dos animais. Para Miguel Moutinho, "são anos e anos de trabalho, de recolha de documentação e provas que denunciam situações graves de tráfico e violação dos direitos dos animais", garante o responsável da associação.

Em Agosto, a Animal tinha feito duas recomendações: "Proibir a reprodução destes animais e a sua esterilização obrigatória." A primeira recomendação entra na portaria publicada esta semana, a segunda fica de fora da nova lei. "O legislador esqueceu-se de mandar fabricar preservativos para os tigres", ironiza Miguel Chen, do circo Chen. E nem o argumento da saúde pública tem adeptos: "Não faz sentido", garante Jaime Nina, coordenador de Doenças Infecto-Contagiosas no Instituto Ricardo Jorge. "Está por provar que os animais são maltratados" [...] "e é extremamente rara a transmissão de doenças exóticas".

Os valores envolvidos Apesar do cerco, os circos ainda não morreram. Segundo dados revelados ao i pelo INE, a actividade está em recuperação, após uma queda abrupta em 2006. Nesse ano, as receitas caíram para os 551 mil euros, antes de dispararem nos últimos anos. De acordo com os últimos dados, de 2007, 285 mil espectadores renderam aos empresários do circo 871 mil euros. Mesmo assim, o circo é dos espectáculos ao vivo menos lucrativos: atrás só o folclore e os receitais de coros. Comparando com o futebol, a diferença é abissal: as três primeiras jornadas da Liga Sagres tiveram tantos espectadores como toda uma temporada circense. Os espectáculos de circo em Portugal também são um grão de areia no contexto internacional: só o Cirque de Soleil facturou 404 milhões de euros em 2007.

Os outros decretos Além da nova portaria, as outras leis publicadas este ano também lançam novas proibições sobre os circos. O decreto sobre os grandes símios declarou "proibido o uso em circos, exposições, números com animais e manifestações similares" de chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos e configura a violação como uma "contra--ordenação ambiental muito grave". Coima máxima: 2,5 milhões de euros. Duas semanas depois, a 24 de Setembro de 2009, chegava o segundo decreto, que, informa o Ministério da Agricultura, "procura assegurar que os circos ou outros eventos similares que utilizem animais respeitem as suas condições de saúde e bem-estar." Esta semana os circos receberam mais uma má notícia.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Não se sabe quantos animais selvagens existem nos circos portugueses

(Por Carla Tomás. In Expresso.pt, 13 de Outubro de 2009)

Vão ser precisos 90 dias para se saber quantos tigres, leões, ursos, elefantes, macacos, hipopótamos ou focas existem actualmente nos circos portugueses.

As entidades oficiais não sabem ao certo quantos tigres, leões, ursos, elefantes, macacos, hipopótamos ou focas existem actualmente nos circos portugueses. Esse número só será conhecido dentro de 90 dias, quando o registo dos animais for apresentado ao Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB) pelas pessoas que os detêm.

Por isso, para João Loureiro, responsável por esta área do ICNB, "o registo obrigatório destes animais é a grande vantagem" da portaria publicada ontem em Diário da República.

O diploma proíbe a aquisição ou reprodução de cerca de quatro dezenas de espécies animais, onde se incluem (além dos já referidos), cobras, avestruzes, pinguins ou crocodilos, entre outros. O objectivo, segundo João Loureiro, é "responsabilizar as pessoas que detêm animais potencialmente perigosos e garantir o bem estar de algumas espécies".

A nova portaria mereceu o aplauso da associação Animal, que a considera "um sinal positivo". Segundo Miguel Moutinho, da Animal, "apesar do grande avanço, é preciso ir mais longe". O defensor dos direitos dos animais não humanos lamenta que não estejam incluídos todos os animais, incluindo os domésticos. E chama a atenção para "a dificuldade de aplicação da nova legislação", entre várias razões, devida á fraca fiscalização e ao facto de não existir a obrigatoriedade de esterilização dos animais.

Já os empresários circenses, não se mostram nada agradados com a nova legislação. "O problema é a maneira como publicaram a lei sem avisar ninguém", lamenta Miguel Chen, que diz só deter cinco tigres da listagem proibida e que nada fará para impedir que "a natureza funcione" e estes se reproduzam. "Esteriza-los é contranatura", justifica.

Circos vão deixar de ter animais. Está aberta a guerra

A nova lei proíbe a compra de uma vasta lista de animais para exibição nos circos. Famílias circenses preparam-se para a luta

(Por Marta F. Reis. In “Ionline.pt”, 13 de Outubro de 2009)

Mila tem quase 30 anos e já está na reforma. Passou a vida a fazer acrobacias no circo Dallas, agora é insubstituível. Desta vez o discurso não é do domador: uma portaria publicada ontem em Diário da República proíbe a detenção de animais de dezenas de espécies. Por motivos logísticos, os que já estão nas mãos de particulares e privados têm direito a um resto de vida descansada - só não podem acasalar. Contudo, as futuras compras estão fora de questão. A lei não engloba jardins zoológicos, instituições científicas e entidades autorizadas para produção ou conservação da natureza. Os principais afectados, perante um rol de animais banidos que inclui elefantes, leões, focas, avestruzes e incontáveis espécies de mamíferos, répteis e aves, não aparecem no documento: os circos com animais vão durar o tempo que restar de vida às suas estrelas de companhia.

"Qual é a diferença entre ter um leão ou um passarinho numa jaula?", dispara Victor Hugo Cardinali: 12 tigres, nove leões e dois elefantes.

Segundo o patriarca da conhecida família circense, a legislação que acaba de entrar em vigor em Portugal é única na Europa. "Sou membro da ECA (Associação Europeia de Circos) e apesar de já ter havido várias intenções, isto nunca foi para a frente em nenhum país. Nunca pedimos subsídios nem dependemos do Estado, mas agora vamos lutar pelo nosso trabalho."

Renato Alves, do circo Dallas (seis leões, e mais camelos, vacas da Mongólia, póneis e cavalos) só sabe da portaria pelo i. Os camelos escapam. "Registar é importante, sempre estivemos abertos às inspecções, mas um circo sem animais não é a mesma coisa", sublinha.

O fim do circo? O Ministério do Ambiente remete qualquer explicação para o Instituto de Conservação da Natureza (ICNB). Sandra Moutinho, do gabinete de comunicação do instituto, destaca que a nova lei tem em conta um período de adaptação de 90 dias, durante o qual devem ser referenciados os animais que ainda não tenham cumprido o registo obrigatório. Quanto à proibição de procriação - que levou o director do Circo Chen, Miguel Chen, a acusar o legislador de se ter esquecido de "mandar fabricar preservativos para os tigres, em declarações à Lusa - Sandra Moutinho adianta que não cabe ao ICNB ditar os métodos, embora adiante que "esterilizar ou separar os animais são duas opções".

A discussão está instalada. Entre os críticas, Cardinali é determinante: não vai esterilizar. Os circos que vêm de fora têm de informar-se. Não está previsto nenhum acompanhamento especial para a entrada em vigor da nova legislação. "As inspecções já existem neste momento através dos serviços de controlo dos circos. A fiscalização passa também pelas câmaras e pela GNR", diz Sandra Moutinho.

Circos vão ter felinos e elefantes ainda por 10 ou 20 anos

(In “Ionline.pt”, 13 de Outubro de 2009)

Os circos vão continuar a ter elefantes, leões e tigres nos próximos 10 ou 20 anos, segundo contas do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) baseadas na idade dos animais que vivem actualmente naqueles recintos.

A partir de hoje, os circos estão impedidos de comprar novos macacos, elefantes, leões, tigres ou hipopótamos, mas podem manter os animais que já detinham antes da entrada em vigor da portaria 1226/2009, desde que estes não se reproduzam.

"Tentámos que houvesse uma adaptação dos circos ao novo regime, não queríamos uma mudança brusca. O grosso dos animais detidos pelos circos são felinos, embora um circo tenha um elefante. Estes animais devem durar mais 10 ou 20 anos", afirmou à Lusa João Loureiro, do ICNB.

Também a partir de hoje, circos e lojas de animais e até proprietários privados têm de registar no ICNB os animais que a portaria publicada segunda-feira enumera, entre os quais algumas aranhas, lagartos, aves e espécies potencialmente perigosas (de grande porte ou venenosas) como as cobras, os felinos ou os elefantes.

A fiscalização deste registo e dos animais exibidos nos circos, que podem apenas ser os detidos até hoje, vai ser feita pelas entidades policiais, entre as quais a ASAE ou a PSP, adiantou João Loureiro.

O ICNB admite desconhecer as espécies detidas pelos circos, embora seja a entidade competente para licenciar e assegurar o bem-estar de espécies selvagens como leões, elefantes, zebras ou chimpanzés.

Até agora não existia um registo obrigatório dos circos, nem das lojas de animais. Mas nos últimos quatro anos o ICNB recolheu sete leões e quatro tigres abandonados na via pública, encontrados em jaulas que indiciavam pertencerem a circos, mas nunca pôde ser confirmado.

Os parques zoológicos, além dos centros de recuperação de animais e outras entidades licenciadas pelo ICNB, são os únicos a quem a lei permite actualmente deter animais como os felinos, hipopótamos ou elefantes.

Mas a possibilidade de os zoos alargarem aos felinos ou outros a sua grelha de espectáculos, que conta actualmente com aves, golfinhos ou leões marinhos, é "pouco provável" na opinião de João Loureiro.

"O INCB tem de fazer o licenciamento e dificilmente permitiríamos que animais superprotegidos pela lei, como os tigres ou leões, integrassem esses espectáculos", concluiu João Loureiro.