Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

No dia 6 de Agosto - 5.ª feira: ESTEJA com a ANIMAL em mais uma Vigília-Protesto Contra as Touradas

No dia 6 de Agosto – 5.ª feira:

PARTICIPE, mais uma vez, no Protesto-Vigília Contra as Touradas

Entre as 20h e as 00h, em frente ao Campo Pequeno

Parafraseando Martin Luther King, Jr.:
Ao aceitarmos o mal passivamente e sem protestarmos contra ele, estamos, na verdade, a torná-lo possível

Aceitar a realização de actos moralmente repugnantes pela sua extrema crueldade como as touradas sem protestar contra eles torna a sua continuação possível.

Venha e fique o tempo que puder – mas venha, esteja presente e proteste. Ninguém virá por si.

A ANIMAL trará velas de cera integralmente vegetal. Por favor, traga apitos, buzinas e tachos para a parte ruidosa do protesto.

Mas, fundamentalmente, aquilo de que mais precisamos é da sua presença.

PARTICIPE e DIVULGUE – Traga consigo também outras/os amigas/os dos animais!

Para mais informações, por favor contacte: 96 132 08 18 96 235 81 83
campanhas@animal.org.pt

Evolução: Uso de ferramentas por primatas não-humanos alarga limites da arqueologia

(Por Lusa. In “Público.pt”, 5 de Agosto de 2009)

Uma equipa científica de que faz parte uma portuguesa propõe o alargamento da arqueologia ao estudo das ferramentas usadas por primatas não humanos e a criação de uma nova disciplina dedicada à evolução nessa área.

Num estudo publicado na revista "Nature", os investigadores consideram que a arqueologia de primatas, a nova disciplina, é essencial para conhecer melhor as origens das tecnologias e da cultura material, e a importância do uso das ferramentas na ordem primatas, disse à Lusa a co-autora Susana Carvalho.

A arqueóloga portuguesa está actualmente na Universidade de Cambridge (Reino Unido) a fazer um doutoramento em arqueologia de chimpanzés, tendo para isso estudado a utilização de ferramentas de pedra por estes primatas em Bossou, na República da Guiné, e comparado utensílios simples usados para partir nozes com as primeiras indústrias de pedra conhecidas de hominídeos.

"A arqueologia foi sempre vista como a ciência que estuda a cultura material em humanos", disse Susana Carvalho. "Agora, a partir da investigação que decorre na Guiné-Conacri, com chimpanzés, e no Brasil, com macacos capuchinhos, é necessário alargar essa noção de arqueologia a todas as culturas de primatas, investigando o seu uso passado e actual de ferramentas em habitat natural", frisou.

É que estes primatas não-humanos deixam para trás um registo arqueológico que, na sua perspectiva, pode ser estudado e escavado com as técnicas arqueológicas clássicas.

Segundo o conhecimento actual, as ferramentas humanas mais antigas datam de há 2,6 milhões de anos. Mas não se sabe exactamente quem foram os seus autores devido à coexistência nesse período de vários hominídeos, sendo que o Australopithecus garhi tem vindo a surgir como o mais sério candidato, em detrimento do Homo habilis.

Ao estudar o uso de martelos e bigornas pelos chimpanzés, Susana Carvalho acha possível saber como terão surgido as primeiras ferramentas, em que contexto, que pressões selectivas terão levado a isso ou por que razão só algumas espécies as usam. "Os arqueólogos terão agora que pensar em como distinguir no registo arqueológico o legado material de humanos e não-humanos", sublinha a investigadora.

Num artigo publicado em Maio do ano passado no "Journal of Human Evolution", Susana Carvalho descreveu a descoberta que fez em Bossou do quebra-nozes de pedra mais complexo construído por chimpanzés.

Esse quebra-nozes era constituído por quatro elementos de pedra, um martelo, uma bigorna e dois calços, quando só eram conhecidos instrumentos com três componentes.

O estudo publicado na Nature apresenta pela primeira vez um quadro comparativo que permite compreender os contextos biológicos, ambientais e sociais da evolução do comportamento dos primatas, através de análises da produção, utilização e acumulação de ferramentas.

Para os investigadores, a selecção de matéria-prima, a distinção das funções das ferramentas, o surgimento da posse e a reutilização preferencial das mesmas ferramentas levantam questões como saber se é possível distinguir entre registos arqueológicos humanos e não-humanos ou se é necessário rever a noção de pré-história baseada no antropocentrismo.

Nascida em Leiria em 1973, Susana Carvalho participou neste estudo integrada no Pounding Tool Working Group Research, coordenado por Jack Harris (Rutgers University, Museu Nacional do Quénia e Koobi Fora Field School). Faz também parte da equipa internacional do Primate Research Institute da Universidade de Quioto presente em Bossou e do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra.

Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Peça ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra que não autorize tourada anunciada para a localidade sintrense de Nafarros

Peça ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra que, nos termos do anunciado quando foi aprovado o “Regulamento Municipal de Animais de Sintra”, não autorize tourada anunciada para a localidade sintrense de Nafarros, programada para 26 de Agosto

Em Abril do ano corrente, a Assembleia Municipal de Sintra aprovou o chamado “Regulamento Municipal de Animais do Concelho de Sintra”, que, entre outras medidas que incorpora, prevê que (e tal como está ainda anunciado no site deste município, em http://www.cm-sintra.pt/NoticiaDisplay.aspx?ID=5442):

“[…] a Câmara de Sintra assume que o apoio institucional ou a cedência de recursos, por parte da autarquia, para a realização de espectáculos com animais fica condicionado pela não existência de actos que inflijam sofrimento físico ou psíquico, lesionem ou provoquem a morte do animal. A realização de espectáculos com fins comerciais, desportivos, beneméritos ou outros em que estejam envolvidos animais, respeita o disposto na Lei e nos Regulamentos Municipais, i.e., fica sujeita ao parecer prévio e vinculativo do Médico Veterinário Municipal”.

Considerando que Sintra não tem praça de touros fixa e que a instalação de qualquer praça de touros desmontável no concelho carece, obrigatoriamente, de autorização camarária, nomeadamente nos termos do anunciado neste Regulamento Municipal de Animais de Sintra, sob a vigência do qual nenhum espectáculo tauromáquico poderia, ante um parecer da Médica Veterinária Municipal, ser considerado aceitável, a implicação mais óbvia do dito Regulamento Municipal era e é de que nenhum espectáculo tauromáquico voltaria a ser autorizado em Sintra. Ora, encontra-se anunciada uma tourada para o dia 26 de Agosto, na localidade de Nafarros, em Sintra, tal como está a ser divulgado por sites tauromáquicos, de entre os quais se destaca o seguinte: http://www.tourobravo.com/Noticias/Noticia.aspx?Key=579.

Por favor, envie a mensagem sugerida abaixo – ou escreva a sua própria mensagem, se preferir – ao Presidente da Câmara Municipal de Sintra e ao Vereador do Pelouro da Cultura, pedindo-lhe que, nos termos do anunciado quando foi aprovado o “Regulamento Municipal de Animais de Sintra”, não autorize a tourada anunciada para a localidade sintrense de Nafarros, programada para 26 de Agosto. Por favor envie a sua mensagem para: geral@cm-sintra.pt; gmvm@cm-sintra.pt; Com Conhecimento (Cc) a: campanhas@animal.org.pt.

Mensagem Sugerida

Exm.º Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sintra
Exm.º Senhor Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Sintra
Exm.ª Senhora Médica Veterinária Municipal da Câmara Municipal de Sintra

Excelências,

Em Abril do ano corrente, a Assembleia Municipal de Sintra aprovou o chamado “Regulamento Municipal de Animais do Concelho de Sintra”, que, entre outras medidas que incorpora, prevê que (e tal como está ainda anunciado no site deste município, em
http://www.cm-sintra.pt/NoticiaDisplay.aspx?ID=5442):

“[…] a Câmara de Sintra assume que o apoio institucional ou a cedência de recursos, por parte da autarquia, para a realização de espectáculos com animais fica condicionado pela não existência de actos que inflijam sofrimento físico ou psíquico, lesionem ou provoquem a morte do animal. A realização de espectáculos com fins comerciais, desportivos, beneméritos ou outros em que estejam envolvidos animais, respeita o disposto na Lei e nos Regulamentos Municipais, i.e., fica sujeita ao parecer prévio e vinculativo do Médico Veterinário Municipal”.

Considerando que Sintra não tem praça de touros fixa e que a instalação de qualquer praça de touros desmontável no concelho carece, obrigatoriamente, de autorização camarária, nomeadamente nos termos do anunciado neste Regulamento Municipal de Animais de Sintra, sob a vigência do qual nenhum espectáculo tauromáquico poderia, ante um parecer da Médica Veterinária Municipal, ser considerado aceitável, a implicação mais óbvia do dito Regulamento Municipal era e é de que nenhum espectáculo tauromáquico voltaria a ser autorizado em Sintra.

Ora, encontra-se anunciada uma tourada para o dia 26 de Agosto, na localidade de Nafarros, em Sintra, tal como está a ser divulgado por sites tauromáquicos, de entre os quais se destaca o seguinte:
http://www.tourobravo.com/Noticias/Noticia.aspx?Key=579.

Desde Abril passado, altura em que o dito Regulamento foi aprovado, que acredito que Sintra é, para todos os efeitos, uma vila livre de espectáculos tauromáquicos. Desde Abril passado que, como consequência da tomada de decisão de V. Ex.as a que na presente mensagem faço referência, eu e muitos outros portugueses acreditamos que Sintra não voltaria atrás, sendo palco de actividades aviltantes de tortura de animais como são as touradas. E isso é algo em que quero continuar a acreditar.

Neste sentido, venho pedir a V. Ex.as, explícita e especificamente, que, nos termos do anunciado quando foi aprovado o “Regulamento Municipal de Animais de Sintra”, a Câmara Municipal de Sintra não autorize a tourada anunciada para a localidade sintrense de Nafarros, programada para 26 de Agosto, ou qualquer outra actividade tauromáquica no concelho de Sintra, nessa data e local ou em qualquer outra data ou local.

Agradecendo antecipadamente a atenção de V. Ex.ª e ficando na expectativa de uma resposta a esta mensagem, que espero que seja positiva,

Com os meus melhores cumprimentos,

[Indique o SEU NOME AQUI]
[Indique a SUA CIDADE AQUI]
[Indique o SEU ENDEREÇO DE E-MAIL AQUI]

Domingo, 2 de Agosto de 2009

Animais: Abandono deixou de ser prática exclusiva do período de férias – associações

(Por Simon Kamm, Agência Lusa. In “Expresso Online”)

Lisboa, 02 Ago (Lusa) - O abandono de animais de estimação em Portugal deixou de ser uma prática exclusiva dos meses que antecedem as férias de Verão e passou a acontecer todos os dias do ano, acusam responsáveis de associações.

"Qualquer pretexto serve" para abandonar um animal de estimação quando se torna incómodo ou um entrave. Quem o afirma é Ana Pino, uma das responsáveis da Associação Portuguesa de Cães Abandonados (APCA), que diariamente acolhe os animais que tiveram a rua como destino ou os que são entregues directamente à porta da associação.

"Vou trabalhar para o estrangeiro" ou "vou mudar para uma casa onde o senhorio não permite animais" são, segundo a responsável da APCA, apenas "algumas das muitas desculpas" que diariamente ouve quando os até então melhores amigos do homem se tornam um obstáculo para os donos.

"Há dois ou três anos verificava-se um aumento significativo de cães abandonados antes do Verão. Mas essa tendência já não se nota. Infelizmente, o abandono passou a acontecer todos os dias do ano", lamenta Ana Pino, que já conta 206 cães na associação.

É uma "situação dramática que já vinha a aumentar e que agora foi agravada pela crise económica", refere, por sua vez, o presidente da associação Animal, para quem, no entanto, continuam a "notar-se picos de abandono entre Junho e Agosto".

Segundo disse à Lusa Miguel Moutinho, os factores económicos contribuem cada vez mais para o abandono de animais em Portugal. "Muitos já não conseguem suportar as despesas mais básicas, como a alimentação, e optam pelo abandono do animal, que é sempre o elo mais fácil", critica.

Mas não é apenas o aumento do número que preocupa Ana Pino. A responsável da associação sedeada em Sintra lamenta que os cães que até lá conseguem chegar estejam "em cada vez pior estado".

"Há uma grande falta de responsabilidade. As pessoas não percebem o que significa ter um cão e as despesas quase nunca são tomadas em conta", critica, referindo que "tudo o que tem a ver com dinheiro é muito complicado".

Quando os donos são confrontados com "grandes despesas veterinárias - que não têm nenhum tipo de comparticipação nem podem ser descontadas no IRS - os cães são simplesmente abandonados porque não há como os tratar".

Há até, muitos que "recusam pagar um cêntimo quando entregam os animais à associação", que para receber um cão pede "uma taxa de 20 a 50 euros", refere.

As estimativas que apontam para que cada ano sejam abandonados dez mil cães em todo o país não convencem quem já está no terreno há muitos anos. "Parece-me muito pouco, quando a APCA, que é pequena, acolhe cerca de 300 cães por ano e os canis municipais, em média, entre 40 e 50 por semana", reage Ana Pino.

Opinião partilhada por Miguel Moutinho, que considera tal número "absurdo". "Se fossem apenas dez mil animais estaríamos muito bem", refere, salientando que as estimativas que as associações fazem no terreno "são muito mais dramáticas".

"Não existe qualquer estudo que permita falar de números próximos da realidade. Mas, se admitirmos, que, em média, 500 animais (números conservadores) são abandonados em cada um dos 308 concelhos por ano, já estamos a falar de 150 mil", explicou.

Animais: Um em cada quatro cães em Portugal não recebe assistência médica-veterinária – especialistas

(Por Simon Kamm, Agência Lusa. In “Expresso Online”)

Lisboa, 02 Ago (Lusa) - Um em cada quatro cães não recebe qualquer tipo de assistência médica-veterinária em Portugal, onde a despesa com animais de estimação é 33,8 por cento inferior à da UE-15, revelam dados apresentados por especialistas nacionais.

Peritos em saúde animal estimam que em Portugal existam "cerca de um milhão e meio de cães", dos quais 25 por cento "não beneficiam de qualquer tipo de assistência médica-veterinária".

Referem também que, quando comparado Portugal com outros países europeus, os donos portugueses gastam "menos 33,8 por cento por animal de companhia que na UE-15", sendo também "menor o número de animais tratados: gatos -7,1 por cento e cães -11,1 por cento".

Estimativas que não surpreendem o bastonário da Ordem dos Veterinários, Sameiro de Sousa, nem a Associação Portuguesa de Médicos Veterinários Especialistas em Animais de Companhia (APMVEAC).

"Lamentavelmente isto não é novidade. Há uma grande percentagem de animais que não são submetidos a qualquer avaliação sanitária periódica", refere o bastonário, lamentando que, em Portugal, não se "aposte mais em medidas preventivas".

O médico-veterinário Cláudio Mendão explica que apesar de os portugueses "terem melhorado no consumo de produtos de saúde animal", um inquérito realizado em clínicas demonstrou que "existe uma grande franja da população que não faz qualquer tipo de prevenção e só vai ao veterinário quando tem o animal doente".

E muitos dos que vão "gastam apenas uma unidade de desparasitante por animal, quando deveriam usar mais", refere, lembrando que isto pode potenciar "a disseminação de parasitas e a consequente transmissão de doenças, como a febre da carraça e a leishmaniose canina".

Doenças que, segundo a investigadora Gabriela Santos Gomes, do Centro de Malária do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa, tem "vindo aumentar devido a factores como as alterações ambientais".

"Actualmente é muito difícil dizer quando é que a transmissão começa e quando acaba, já que existem nove ou mais meses de maior perigo, quando no passado eram apenas seis [Março até Setembro]", explica.

Quanto aos casos detectados em Portugal, Cláudio Mendão relativiza: "O número de casos detectados em animais é maior do que há uns anos, mas também estamos mais despertos para estas situações".

"O que se pode dizer com certeza é que não se tem verificado um retrocesso", acrescenta, lembrando que o ideal seria que se começasse com a prevenção "antes de aparecerem os parasitas, em Fevereiro".

A par da falta de prevenção regular e do 'factor clima', refere a APMVEAC, o aumento de cães vadios é outro factor que tem motivado a maior propagação destas doenças.

Segundo Cláudio Mendão, além de uma maior aposta na prevenção, deveria existir "um controlo e intervenção mais eficazes por parte das câmaras municipais, já que nem todos os cães recolhidos recebem assistência veterinária".

Dados da Organização Mundial de Saúde referem que cerca de 62 por cento das patologias humanas são transmitidas por animais e que as crianças, grávidas e pessoas com o sistema imunitário debilitado são os grupos mais vulneráveis ao contágio.