Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010

Suíça fará referendo sobre advogados para animais

(Por BBC Brasil. In FOLHA ONLINE, 4 de Fevereiro de 2010)

A Suíça realiza em março um referendo sobre uma proposta que prevê que cada cantão do país seja obrigado a indicar um advogado para proteger animais domésticos de abusos --sejam eles bichos de estimação ou criados em fazendas.

Recentemente o país mudou sua Constituição para garantir a proteção da "dignidade" da fauna e aprovou lei no ano passado estabelecendo os direitos de criaturas como canários, porquinhos da índia e peixinhos dourados.

"Os seres humanos acusados de crueldade contra os animais podem contratar um advogado ou ter um indicado para eles mas os animais não podem", disse o advogado Antoine Goetschel, segundo o jornal britânico "The Sunday Times".

Em 2007, o cantão de Zurique indicou Goetschel como "defensor dos animais" em uma experiência cujo sucesso encorajou grupos de defesa dos animais a organizarem uma campanha para o referendo. O Sunday Times disse que o grupo recolheu mais do que as 100 mil assinaturas necessárias para a realização da consulta popular a nível nacional.

Mas governo e fazendeiros são contrários à proposta, por temerem a adoção de normas mais rigorosas se a moção for aprovada no dia 7 de março. Na semana passada, foi organizada uma comissão chamada "Não à Iniciativa para Advogados Inúteis para Animais".

De acordo com reportagem do "Sunday Times", a lei para proteger aminais domesticados prevê que "animais sociáveis" como canários e porquinhos da índia não sejam criados sozinhos.

Tanques com peixinhos dourados não podem ter todas as suas faces de material transparente porque o peixe precisa de abrigo. As pessoas que quiserem ter cachorro têm que fazer um curso de quatro horas sobre os cuidados com bichos de estimação antes de adquirirem um animal.

Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Pai de menino-toureiro entra na arena para salvar o filho

O menino-toureiro que, em Junho, foi proibido de participar em corridas em Portugal foi, no último fim-de-semana, colhido por duas vezes numa arena da Colômbia
(In AEIOU.VISAO.PT, 2 de Fevereiro de 2010)

Michelito, actualmente com 12 anos, já esteve para actuar, em Junho do ano passado, em Portugal. Na altura, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens proibiu a sua participação numa corrida em Lisboa, na qual deveria lidar um bezerro. (Recorde aqui esse caso)

No último fim-de-semana, o menino toureiro passou por um mau bocado, durante uma corrida de touros em Cali, na Colômbia. Quando lidava um novilho de 360 kg, Michelito foi colhido uma primeira vez, com alguma violência. Valeu, na altura, a entrada na arena de seu pai, que agarrou o touro, e dos bandarilheiros afastaram o animal do menino.

Aparentemente recomposto da colhida e com o apoio do pai, Michelito voltou para terminar a faena, mas as coisas voltaram a correr mal. Uma vez mais, foi o pai a salvar a criança de males maiores, sendo, desta vez, ele próprio a sofrer a colhida do animal.

Apesar de alguns ferimentos, os dois estão bem de saúde e regressaram ao México no dia seguinte à tourada. Ainda assim, este incidente volta a levantar a polémica quanto ao facto de crianças tão novas poderem lidar touros em espectáculos públicos, correndo evidentes riscos de vida.

Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2010

Chovem críticas a tourada a favor de animais abandonados

(Por Fátima Mariano. In JORNAL DE NOTÍCIAS, 1 de Fevereiro de 2010)

Metade da receita será entregue à Associação dos Amigos dos Animais.
No próximo dia 28, realiza-se em Vila Franca de Xira um Festival Taurino, cujas receitas revertem, em parte, para a Associação dos Amigos dos Animais do concelho. A organização não vê "nada de estranho" nesta decisão, mas as críticas não se fizeram esperar.

A organização do Festival Taurino está a cargo da Associação da Casa dos Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e conta com o apoio da Tauroleve, empresa concessionária da Praça de Toiros Palha Blanco, que cede gratuitamente o espaço para o evento.

Metade das verbas angariadas reverterá a favor da entidade organizadora (que almeja abrir um espaço museológico) e a outra metade será entregue à Associação dos Amigos dos Animais de Vila Franca de Xira, instituição de utilidade pública desde 1995, que se debate com grandes problemas financeiros e de falta de condições de acolhimento para centenas de animais abandonados.

Este terá sido um dos motivos que deu origem ao festival, de acordo com Vasco Dotti, cabo dos forcados amadores de Vila Franca de Xira. "Sei das dificuldades com que a associação se debate todos os anos e que ainda não conseguiu construir um canil de raiz, devido à falta de verbas. Por isso, apresentámos esta ideia aos responsáveis da associação, que a aceitaram", explicou, ao JN.

Associação já não quer verbasNa sequência, as três entidades assinaram um protocolo e os preparativos arrancaram, estando já confirmada a presença do maestro Victor Mendes e do novilheiro Nuno Casquinha. Só que a Associação dos Amigos dos Animais voltou atrás com a palavra.

Ao JN, Maria Telma Ferreira, presidente da Direcção, referiu que a associação foi bastante criticada por entidades congéneres e particulares e, por isso, decidiram não aceitar o dinheiro. Em comunicado divulgado na última semana, a mesma responsável afirma que associação "recusa e recusará, sempre qualquer contrapartida financeira de qualquer iniciativa relacionada com actividades tauromáquicas, nomeadamente este Festival Taurino. Mas Vasco Dotti garante que o festival vai realizar-se tal como sempre esteve planeado, até porque há um protocolo assinado e o material publicitário está já na gráfica. A divulgação do evento foi já feita na imprensa e nos sites ligados à tauromaquia, tanto em Portugal como em Espanha.

"Não entendo o porquê das críticas. As pessoas ligadas à tauromaquia também se preocupam com os animais. E há muitos defensores dos animais que são aficionados", frisa Vasco Dotti.

Opinião diferente tem, por exemplo, a Associação Animal. "A ser verdade que essa instituição vai beneficiar de um festival que tortura animais, consideramos que tal é moralmente condenável", diz Rita Silva, a presidente. "Sabemos as dificuldades pelas quais passam as associações, mas isso seria o mesmo que uma associação de protecção de crianças receber dinheiro de uma associação de pedófilos".