quarta-feira, 6 de maio de 2009

Corridas tradicionais cada vez mais rodeadas de polémica

(Por “Destak” / LUSA. In “Destak”, 6 de Maio de 2009)

A temporada tauromáquica em Portugal, que decorre até ao mês de Outubro, está a ser marcada com um confronto entre os defensores do espectáculo e os seus oponentes que defendem os direitos dos animais.

Para a corrida de quinta-feira, no Campo Pequeno, estão marcadas manifestações entre apoiantes e opositores das corridas de touros, e nos Açores a polémica instalou-se com o projecto de legalizar as corridas picadas.

O presidente da Tertúlia Tauromáquica Terceirense, de Angra do Heroísmo, associação que defende as corridas picadas, garante que “os ataques à sorte de varas escondem uma intenção mais profunda que é o ataque à própria tauromaquia em geral”.

A questão tem tido decisões diferentes, nomeadamente nos municípios onde a realização de espectáculos taurinos depende de uma autorização autárquica.

Mais a norte, a autarquia de Viana do Castelo “proibiu a realização de touradas com base na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, aprovada pela UNESCO e que Portugal subscreveu”.

Os aficionados não gostaram e cerca de uma centena montaram uma manifestação a cavalo, de charrete ou simplesmente a pé, contra a decisão da Câmara.

Na Póvoa do Varzim a decisão foi ao contrário e a Câmara recusou ser a primeira cidade do país anti-tourada, tendo mesmo, aprovado a realização de uma garraiada da Federação Académica do Porto.

Já Assembleia Municipal de Angra do Heroísmo não esteve sequer "com meias medidas" e aprovou, por unanimidade, uma proposta que "classifica a tauromaquia como património cultural concelhio”.

Entre o sim e o não está o concelho de Sintra, que aprovou um regulamento que condiciona "o apoio institucional ou cedência de recursos, a eventos onde existam actos que inflijam sofrimento físico ou psíquico, lesionem ou provoquem a morte do animal".

Na Marinha Grande o presidente da autarquia, Alberto Cascalho, garantiu que “vai colocar à consideração do executivo municipal” a moção aprovada pela Associação Animal que pede a declaração de cidade anti tourada”.

Justificam os defensores dos animais que o concelho “não tem praça de touros fixa nem qualquer tradição tauromáquica”.

A questão da proibição das touradas em Portugal e Espanha é antiga e já levou o Parlamento Europeu a rejeitar, em Bruxelas em 2006, “de forma clara” uma proposta que “apelava à proibição das touradas, combates de cães e galos”.

O Parlamento Europeu opôs-se ao fim das touradas por considerar “não haver comparação entre estas – uma tradição em Portugal, Espanha e França – e as lutas de cães e galos”.

Entre os eurodeputados que subscreveram a declaração, a propor o fim das touradas e dos subsídios da União Europeia destinados à criação de touros de lide, figuravam os portugueses Manuel dos Santos (PS) e Assunção Esteves (PSD).

O Parlamento Europeu vai ter de se debruçar de novo sobre a questão uma vez que a Associação Amigos dos Açores apresentou uma queixa contra a tentativa de “ser aprovada no arquipélago legislação que permite, de novo, as touradas picadas”.

Advogam que a legislação portuguesa proíbe “a sorte de varas e corridas picadas” exceptuando, no entanto, “as tradições que se tenham mantido nos 50 anos anteriores à entrada em vigor da legislação aprovada em Julho de 2002”.

Porém, o investigador e jurista, antigo presidente do parlamento açoriano, Álvaro Monjardino. “a tradição tauromáquica existe no arquipélago desde o povoamento”.

Muitos dos aficionados da ilha Terceira, e até de outras dos Açores, as distâncias são curtas para assistir e vibrar com espectáculos em Espanha e França, na Europa, ou na Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela.

E como não se ficam pelos espectáculos organizaram, no final do passado mês de Janeiro, um Fórum Mundial da Cultura Taurina.

E recomendam a leitura do trabalho da equipa chefiada por Juan Carlos Illera, da Faculdade Complutense de Madrid, que comprova que o toiro bravo, devido à produção de endorfinas naturais consegue bloquear, durante a lide e principalmente durante a sorte de varas e o tércio de bandarilhas, os receptores cerebrais da dor.